28.9.12

Horário Eleitoral Corrupto



Mentiras, promessas, enganação, corrupção...
Tudo isso você vê e ouve durante o Horário Eleitoral Gratuito.
Candidatos de diversificados partidos políticos com as mais variadas promessas de mudança ou melhora, falam com o maior cinismo diante das câmeras que se for eleito vai construir escolas, hospitais, delegacias, casas próprias, indústrias, etc.

Em quem você confia?
Em quem você vai votar?
Quem você vai eleger para te explorar?
QUAIS OS POLÍTICOS QUE MERECEM SEU VOTO?
Você acredita em tudo o que vê durante o Horário Eleitoral Gratuito?

O Horário Eleitoral Gratuito é um dos meios mais convincentes e enganadores que os candidatos – verdadeiros atores ‘super-herois’ – usam para iludir o nosso ‘povão’.

A TV é a aliada poderosa dos políticos candidatos e é também o veículo que desmente e apaga o famoso bicho-papão de que político nenhum presta.

Você, que neste exato momento está lendo este panfleto, não se iluda com promessas, não jogue fora uma hora de sua vida ouvindo mentiras.

Desligue a TV e
Dane-se o Horário Eleitoral Gratuito!




Renato Curse                  agosto de 1.994



Tinha apenas 17 anos de idade quando escrevi este texto. 


                                              dezembro 1994                        setembro 2012


  • Texto publicado na edição # 5 do Zine “Agonia Revoltante!”, de setembro de 1.994


26.9.12

Amor não é Doença



AMOR NÃO É DOENÇA, 
NÃO É LOUCURA, 
NÃO DESPERTA DESCRENÇA, 
NEM PROVOCA AUTO-TORTURA... 



AMOR NÃO É DOENÇA,  
NÃO CAUSA FLAGELO, 
NÃO TRAZ PESAR À CONSCIÊNCIA, 
NEM QUEBRA QUALQUER ELO... 



AMOR NÃO É DOENÇA, 
NÃO AFLORA CINISMO, 
NÃO INDUZ À DEMÊNCIA, 
NEM SURTE EGOÍSMO... 



AMOR NÃO É DOENÇA, 
NÃO É TORMENTO, 
NÃO É INCOERÊNCIA, 
NÃO É SOFRIMENTO! 




Renato Curse       26 de fevereiro de 2007


25.9.12

Eternamente Oswaldo Montenegro



Oswaldo Viveiros Montenegro (Rio de Janeiro, 15 de março de 1956) é um músico brasileiro. Além de cantor, compõe trilhas sonoras para peças teatrais, balés, cinema e televisão. Foi casado com a atriz Paloma Duarte. Tem uma das parcerias mais sólidas da MPB ao lado de Madalena Salles, que o acompanha com suas flautas.



Biografia
Nascido no bairro do Grajaú, Oswaldo é um caso excepcional de precocidade musical. Sem nunca ter estudado música regularmente, começou desde a tenra infância a ser influenciado por ela. Primeiro, na casa de seus pais no Rio de Janeiro: sua mãe e os pais dela tocavam piano, seu pai tocava violão e cantava.
A segunda influência foi mais forte. Aos oito anos, mudou-se, com os pais, para São João del-Rei, cidade mineira poética e boêmia, onde as serestas aconteciam todas as noites e as pessoas juntavam os amigos em casa para passar as noites tocando e cantando. Ao mesmo tempo, Oswaldo foi atraído para a música barroca das igrejas. Nesta época, teve aulas de violão com um dos seresteiros da cidade e compôs sua primeira canção, Lenheiro, nome do rio que banha São João del-Rei. Venceu um festival de música com apenas 13 anos, no Rio de Janeiro, onde voltou a morar.
A decisão de se tornar um músico profissional veio com a mudança para Brasília, em 1971. Na capital federal, começou a ter contato com festivais e grupos de teatro e de dança estudantis. Fez seus primeiros shows e aos 17 anos a decisão de viver da música se tornou definitiva. Mudou-se novamente para o Rio, mas já havia adotado Brasília como a terra de seu coração e tema constante de sua obra. Também seus parceiros preferidos foram amigos que fez ali, como José Alexandre, Mongol e Madalena Salles, entre outros.
Foi ainda em Brasília que tomou contato com a música erudita nos concertos do Teatro Nacional. Não só assiste aos concertos com seus amigos músicos, entre eles o maestro Otávio Maul e a família Prista Tavares, mas entra pelas madrugadas conversando sobre técnica e teoria musicais. Autodidata, devora livros sobre história da música.
A partir daí, morando no Rio mas com os olhos e o coração postos em Brasília, sua carreira deslancha. Tem música classificada no último Festival da Canção da Rede Globo, o primeiro de repercussão nacional de que participa (1972), escreve e encena seu primeiro musical (1974-1975), lança três discos em três anos (1975-8) e vence festival na TV Tupi com seu primeiro megasucesso, Bandolins (1979).
Em 1980, participa em, e vence, o Festival MPB 80 da Rede Globo de Televisão com a canção Agonia, do amigo de infância Mongol. Mesmo com tanto sucesso, decide retornar a Brasília para montar em 1982, outro espetáculo musical, Veja Você, Brasília, com artistas locais. Deste espetáculo participam as ainda desconhecidas Cássia Eller e Zélia Duncan. Depois desta, viriam outras peças de teatro musical, uma particularidade bem marcante na trajetória de um músico brasileiro e que resgata uma maneira de divulgar música abandonada na primeira metade do século 20. São mais de 14 peças musicais, todas recorde de público e algumas, como "Noturno", "A Dança dos Signos" e "Aldeia dos Ventos", estão em cartaz há mais de 15 anos e com montagens por todo o país.
Em 1985, participa do Festival dos Festivais, também pela Rede Globo, com a música O Condor, com acompanhamento de um coro de 25 cantores negros. Não para de gravar discos. Até 2006, são 34. Composições suas são interpretadas por Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Paulinho Moska, Zé Ramalho, Alceu Valença, Zizi Possi, Zélia Duncan, Jorge Vercilo, Altemar Dutra, Gonzaguinha, Sivuca, Tânia Maya, entre outros. Até a atriz Glória Pires cantou em participação especial de um disco seu (1985).
Em 1994, Oswaldo lança seu primeiro livro — O Vale Encantado — um livro infantil, no mesmo ano indicado pelo MEC, através da Universidade de Brasília, para ser adotado nas escolas de 1º grau. Em 1997, adapta o livro para vídeo.
Em 1995 lança o cd "Aos Filhos do Hippies" com participação de Carlos Vereza e Geraldo Azevedo.
Em 1997, Oswaldo reencontra Roberto Menescal. Durante a conversa, surge o tema "letras de músicas da MPB que são verdadeiros poemas". Daí vem à ideia do CD "Letras Brasileiras". Menescal produz o CD, que é lançado no mesmo ano, e participa da tournée do show. Ainda em 97 grava e lança o vídeo "O Vale Encantado", que conta no elenco com a participação de Zico, Roberto Menescal, Fafy Siqueira, Luísa Parente, Tânia Maya e Madalena Salles. É lançado, também, o CD do mesmo nome. Lança, também, nesse mesmo ano, o CD do espetáculo "Noturno", pela Tai Consultoria em Talentos Humanos e Qualidade.
Em 1998 recebe o título de cidadão honorário de Brasília, concedido pela Câmara Legislativa do DF. Nesse mesmo ano, Oswaldo volta às montagens teatrais. Monta novamente "Léo e Bia", numa versão mais madura e coerente com a postura que ele tem, atualmente, daquela história. Grava o CD homônimo, também com Menescal. Monta, ainda, com elenco de Brasília, a 2ª versão de "A Aldeia dos Ventos".
Em 1999, apresenta três espetáculos, no Teatro de Arena, no Rio de Janeiro: "Léo e Bia", "A Dança dos Signos" e o inédito "A Lista" com a participação da atriz Bárbara Borges e do cantor Rafael Greyck, lançando, nessa temporada, os CDs dos 2 últimos.
Em 2000, comemora os 20 anos de carreira com o show "Vinte Anos de Histórias" e com os CDs "Letras Brasileiras ao Vivo" e "Escondido no Tempo". Dedica-se, também, à série "Só Pra Colecionadores", de CDs independentes, de tiragem limitadíssima, vendidos apenas via internet. Neste ano seus fãs criam seu primeiro fã-clube virtual, o OMOL (Oswaldo Montenegro online), onde admiradores de seu trabalho, através de um site na internet e posteriormente no ORKUT, se reúnem para conversar e interagir sobre sua obra e sobre a obra de artistas que com ele trabalharam. Em Florianópolis monta o musical Lendas da Ilha com mais 50 artistas locais entre eles Paulinho Dias e Cleiton Profeta do Circus Musicalis.
Em 2001 monta em SP a peça “A Lista” com a participação de Bruna di Tullio e Mayara Magri no elenco.
Em 2002 lança o CD “Estrada Nova”, cuja turnê bate recorde de público. Neste cd são gravadas novas músicas em parceria com Mongol.
Em 2003 regrava a uma nova trilha de “A Aldeia dos Ventos”.
Em 2004 lança o CD “Letras Brasileiras 2”, em parceria com Roberto Menescal, além do programa “Tipos”, no Canal Brasil, no qual retrata com músicas, textos e desenho animado, tipos humanos como a bailarina gorda, o chato, etc...
Em 2005 lança CD e DVD “Oswaldo Montenegro - 25 Anos de História”, que alcançam, ambos, a marca das 100 mil cópias.
Em 2006 lança, no Canal Brasil, em parceira com Roberto Menescal, o programa "Letras Brasileiras", apresentado por ambos. O programa foi inspirado no CD e no show que Oswaldo e Menescal apresentaram em 1997 por todo o país. Monta no Rio de Janeiro a peça "Tipos" e remonta Aldeia dos Ventos, com participação da atriz Camila Rodrigues, com a "Cia Aqui entre nós".
Em 2007, lança o cd e DVD "A Partir de Agora", gravando músicas inéditas com convidados como Alceu Valença, Zé Ramalho, Eduardo Costa, Diogo Guanabara e Mariana Rios. Na TV, inicia a segunda temporada do programa "Letras Brasileiras" ao lado de Roberto Menescal no Canal Brasil. No teatro, em parceria com o irmão Deto Montenegro, monta o espetáculo "Tipos" junto com a Oficina dos Menestréis de São Paulo.
Em 2008 lança, pela gravadora Som Livre, um novo DVD e CD chamado "Intimidade". Estes trazem 16 canções bastantes conhecidas com um novo arranjo elaborado pelo próprio Montenegro, por Sérgio Chiavazzoli e por Alexandre Meu Rei. Destaque para "Lume de Estrelas" que foi apenas gravada no disco "Asa de Luz" em 1981. Na TV, inicia a terceira temporada do programa "Letras Brasileiras", que apresenta com Roberto Menescal no Canal Brasil. No teatro, monta no Rio de Janeiro o espetáculo "Eu não moro, comemoro", com participação de Caio Ruas Miranda e Emílio Dantas e o "Projeto Canjas", onde abre espaço para jovens talentos se apresentarem ao lado de artistas consagrados. No fim do ano, tem alguns de seus maiores sucessos lançados em uma coletânea de 3 cds (3 BOX) pela Warner Music.
Em 2009 se dedica a formação de um grupo para montagens de musicais reunindo cantores, músicos, atores e atrizes como Verônica Bonfim, Léo Pinheiro, Rodrigo Sestrem, Emílio Dantas, Cibelle Hespanhol, Luísa Pitta, Renato Luciano, Larissa Landim e Shirlene Paixão, e estreia o musical "Filhos do Brasil" no Teatro do Jockey (RJ). Grava em São Paulo seu terceiro DVD: "Quebra Cabeça elétrico", lançado em outubro.
Em 2010 estréia do Festival de Recife seu longa-metragem "Léo e Bia" e lança o cd "Canções de Amor"



Parceiros
Oswaldo Montenegro solidificou algumas parcerias de sucesso no decorrer da sua carreira, entre elas com Zé Ramalho, Roberto Menescal, Zé Alexandre, Sérgio Chiavazolli, Mongol, Milton Guedes, Eduardo Costta, Alceu Valença, etc. Trabalhou com muita gente em espetáculos teatrais, entre eles Zélia Duncan, Cássia Eller, Tereza Seiblitz, Isabela Garcia, Sebastian (da C&A), Bárbara Borges, Sthefany Brito, Patrícia Werneck, Pedro Nercessian, Daniel Del Sarto, Lúcia Alves, Emílio Dantas, Bruna di Tullio, entre muitos outros.






Discografia
Sem Mandamentos (1975) Som Livre Compacto simples
Trilhas (1977) Independente LP
Poeta maldito... Moleque vadio (1979) WEA LP, CD
Oswaldo Montenegro (1980) WEA LP, CD
Asa de Luz (1981) WEA LP
A Dança dos Signos (1983) Philips LP
Cristal. Trilha sonora da peça (1983) PolyGram LP
Brincando em cima daquilo (1984) LP
Drops de Hortelã. Oswaldo Montenegro e Glória Pires (1985) PolyGram LP
Os Menestréis (1986) Independente LP
Aldeia dos Ventos (1987) Independente LP
Oswaldo Montenegro ao vivo (1989) Som Livre LP, CD
Oswaldo Montenegro (1990) Som Livre CD
Vida de Artista (1991) Som Livre LP, CD
Mulungo (1992) Som Livre CD
Seu Francisco (1992) PolyGram CD
Aos filhos dos hippies (1995) Albatroz CD
O Vale Encantado (1997) Albatroz CD
Noturno (1997) Independente CD
Letras Brasileiras (1997) Albatroz CD Léo e Bia (1998) Albatroz CD
Aldeia dos Ventos. Arte em construção (1998) Albatroz CD
A Dança dos Signos 15 anos (1999) Independente CD
Letras Brasileiras ao vivo (1999) Albatroz CD
A lista (1999) Independente CD
A lista. Trilha sonora do musical (1999) Independente CD
A lista (1999) Independente single
Letras brasileiras ao vivo (1999) Albatroz CD
Escondido no tempo (1999) Panela Music CD
Telas. Só para colecionadores (2000) Independente CD
Entre uma balada e um blues (2001) Ouver Records CD
A lista (2001) Jam Music CD
Estrada nova (2002) Jam Music CD
Letras brasileiras II (2003) Albatroz CD
Aldeia dos ventos (2004) Jam Music CD
Ao vivo - 25 anos (2004) Warner CD e DVD
Léo e Bia 1973 (2005) Jam Music CD
A Partir de Agora (2006) Wea CD e DVD
Intimidade (2008) Som Livre CD e DVD
Quebra-cabeça Elétrico (2009)Universal CD e DVD
Canções de Amor (2010) CD
De Passagem (2011) CD



Musicais
João Sem Nome - 1975
Labirinto - 1977
Veja Você Brasília - 1981
Cristal - 1982
A Dança dos Signos - 1983 e 1999
Léo e Bia - 1984, 1999 e 2006
Os Menestréis - 1986
Aldeia dos Ventos - 1986 e 2006
Noturno -1991
Mayã - 1992
Vale Encantado - 1997
A Lista - 1999
Lendas da Ilha - 2000
Tipos - 2006
Eu não moro, comemoro - 2008 (Oficina dos Menestréis - RJ)
Filhos do Brasil - 2009



Filmes
Léo e Bia - 2010

Fonte: Wikipédia












23.9.12

Nossa Classe Política


Muitos acreditam que eles representam
a integridade de toda a nação
e erroneamente acreditam que atendem
a toda e qualquer reivindicação.

Mas o nosso povo precisa de ajuda,
e eles não se importam nem dão atenção
apenas valorizam os seus interesses
ostentados por mentiras e corrupção.



Simulam e criam falsos atributos,
defendem retrógradas imposições;
demonstram até respeito absoluto
ao que se refere às nossas razões.

Mas o nosso povo precisa de ajuda,
e eles não se importam nem dão atenção
apenas valorizam os seus interesses
ostentados por mentiras e corrupção.



Esta classe política ultra-partidária
que tanto cultua a tal democracia
tenta calar a razão libertária
dos que acreditam em um novo dia.

Mas o nosso povo precisa de ajuda,
e eles não se importam nem dão atenção
apenas valorizam os seus interesses
ostentados por mentiras e corrupção.



Renato Curse                 01 de maio de 1.998


21.9.12

Machado de Assis, nosso maior escritor



Situado como um dos mais brilhantes escritores brasileiros (de todos os tempos), em todas as áreas da Literatura às quais se dedicou, seja no conto, na poesia, no romance, na crítica ou na crônica, ele não deixou sequer margens para que viessem a contestá-lo pejorativamente nem hoje e nem amanhã, já que a notoriedade e o prestígio literários por ele alcançados, poucos escritores obtiveram e só o fato de tê-los atingido findaria com quaisquer ascensões negativistas sobre sua tão opulenta obra.
Joaquim Maria Machado de Assis, filho de Francisco José de Assis e Maria Leopoldina Machado de Assis, nasceu no Rio de Janeiro, no morro do Livramento.
Seu pai (um pintor) e sua mãe (uma lavadeira), embora de origens bem modestas, mantinham contatos com várias pessoas nobres e influentes, o que garantiu ao filho único do casal (outra filha, vinda ulteriormente, morreria ainda prematura) um padrinho e uma madrinha de batismo importantes: Joaquim Alberto de Sousa Silveira e Maria José de Mendonça Barroso (origem do Joaquim Maria em seu nome).
Ainda garoto, Machado de Assis demonstrara as primeiras crises de epilepsia e os primeiros acessos de gagueira, com os quais viria a conviver pelo resto da vida.
Também na infância, perdeu a mãe e após o enlace de seu pai com Maria Inês, a estimada madrasta, passaram a residir no Bairro São Cristóvão.  Aprendeu a ler com a madrasta e depois de já haver passado pela escola pública, passou a estudar no colégio onde Maria Inês trabalhava como cozinheira, logo após a morte de seu pai.
Para auxiliar no orçamento, Machado de Assis chegou a vender os doces e as balas que sua madrasta fazia e, voluntariamente (mais para atender às vontades dela), ele também ajudava nas missas da Igreja de Lampadosa como coroinha.
Garoto inteligente e curioso, ia constantemente a uma padaria onde a proprietária e o forneiro eram franceses, propositado a aprender aquele fascinante idioma (mais tarde, isso seria de fundamental importância para que ele traduzisse Lamartine e Victor Hugo).
Com 15 anos, em 21 de janeiro de 1.855, ele tornaria público o primeiro de seus tantos poemas: “Ela”, no periódico A Marmota Fluminense (de Paula Brito) e em 1.856 começaria a trabalhar como tipógrafo na Imprensa Nacional, empresa do romancista Manuel Antônio de Almeida, autor de “Memórias de um sargento de milícias”.   Manuel conseguiu captar o brilhantismo intelectual de Machado de Assis e não o repreendeu ao saber que seu funcionário costumava conciliar as constantes leituras ao trabalho; ambos até tornaram-se bons amigos.
A partir de 1.858 passou a trabalhar como caixeiro e revisor na tipografia de Paula Brito e através de sucessivas participações em diversos jornais como Correio Mercantil, Jornal das Famílias, Diário do Rio de Janeiro e Semana Ilustrada (os dois últimos a convite de Quintino Bocaiúva), seu nome foi ficando cada vez mais conhecido nas camadas intelectuais, tendo estreado na Literatura em 1.861.
Em 1.864, aos 25 anos, Machado de Assis publicou seu primeiro livro de versos: “Crisálidas” e em 1.867, mesmo ano que tornou-se auxiliar na direção do Diário Oficial (na Imprensa Nacional), ele conheceria o grande amor de sua vida, Carolina Augusta Xavier de Novais, mulher culta, 31 anos, recém-chegada de Portugal.
Depois de dois anos resistindo à oposição de parte da família dela que, por ele ser um mulato, não tolerava a união, Machado de Assis e Carolina casaram-se em 1.869.
Em 1.873 ele foi nomeado primeiro-oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura e, em 1.881, tornou-se oficial de gabinete do ministro, traçando o início de sua vida pública.
Foi condecorado em 1.888 com a Ordem da Rosa no grau de oficial e em 1.889 foi nomeado diretor da Diretoria de Comércio, passando ao cargo de diretor-geral de Viação em 1.892 – onde permaneceu até 1.898.
Com a parceria de intelectuais da época, ajudou a fundar em 1.897 a Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual foi o primeiro presidente.  Pouco tempo depois tornou-se também diretor da Secretaria da Indústria do Ministério da Viação, transferido mais tarde para Diretor-geral de Contabilidade.
Em 1.904, Machado de Assis sofreria o mais duro golpe de sua vida: a companheira Carolina que, em 35 anos de convivência o auxiliava em tudo, faleceu, deixando-o profundamente amargurado.
As crises epilépticas tornaram-se cada vez mais frequentes e, como agravante, as úlceras na língua (devido às fortes mordidas durante os ataques), tranformaram-se em câncer.
Machado de Assis morreu aos 69 anos, no dia 29 de setembro de 1.908, no Rio de Janeiro.
Sobre sua obra, concentrada mais no Realismo (embora inicialmente pinçada pelo Romantismo), além dos célebres “Memórias póstumas de Brás Cubas” de 1.881 e “Dom Casmurro” de 1.900, destacam-se ainda: “Falenas” (1.870), “Contos fluminenses” (1.870), “Ressurreição” (1.872), “Histórias da meia-noite” (1.873), “A mão e a luva” (1.874), “Americanos” (1.875), “Helena” (1.876), “Iaiá Garcia” (1.878), “Papéis avulsos” (1.882), “Histórias sem data” (1.884), “Quincas Borba” (1.891), “Várias histórias” (1.896), “Páginas recolhidas” (1.899), “Poesias completas” (1.901), “Esaú e Jacó” (1.904), “Relíquias de casa velha” (1.906) – o qual trazia o soneto A Carolina, dedicado à esposa falecida – e “Memorial de Aires” (1.908).

Texto: Renato Curse                  16 de junho de 2.001    
(originalmente publicado no Informativo Mix Cultural, edição # 33 de 23 de junho de 2.001)





19.9.12

A ti, Antonio, o Antonio guerreiro




A ti, Antonio, 
o Antonio guerreiro, 
das lutas e das batalhas, 
do sorriso fácil, 
da ternura que nunca foi falha, 
do aperto de mão companheiro. 




A ti, Antonio, 
o Antonio guerreiro, 
das festas, das brincadeiras, 
do sorriso fácil, 
da alegria que nunca foi passageira, 
do batalhador carroceiro. 




A ti, Antonio, 
o Antonio guerreiro, 
do espírito incansável, 
do sorriso fácil, 
do amor à família, inabalável, 
do espírito aventureiro. 



A ti, Antonio, 
o Antonio guerreiro, 
da honestidade, da gentil acolhida, 
do sorriso fácil, 
da batalha até o último dia de vida, 
‘seu’ Toninho, a ti, o Antonio guerreiro, 
Saudades sem fim, do amigo, do pai, 
do irmão, do companheiro, 
do senhor Antonio Tavares, 
O incansável guerreiro. 



Renato Curse              19 de setembro de 2.012

* Em memória e homenagem a um homem que durante toda vida foi exemplo de honestidade, batalha e amor incondicional à sua família. 
Antonio Tavares       * 29/01/1952        + 17/09/2012



17.9.12

Chega de Poluição!



Por sobre os arranha-céus,
você vê a poluição da cidade;
trancado em seu quarto, no hotel,
onde nem o remorso invade.


Será que um dia parou pra pensar
em quantas vidas você destruiu?
Será que um dia vai parar pra pensar
no quanto você já poluiu?


Suas indústrias são seu mundo,
lhe dão mundos de dinheiro;
mas seu ato tão imundo
põe o mundo em desespero.


Então por que você polui?
Não vê que é quase irreversível?
Só idiotas contribuem
com este gesto desprezível!


E o que será do futuro?
E das futuras gerações?
Será que este nosso mundo
suportará tantas agressões?


Você, por dinheiro, ajuda a destruir
a já esfuracada camada de ozônio;
Sua riqueza jamais vai suprir
a sua ausência de neurônios!


Não há dinheiro que pague
o bem-estar universal,
por isso não polua, não estrague
nossos recursos naturais.


CHEGA DE BURRICE,
PARE PRA PENSAR:
O QUE HOJE VOCÊ DESTRÓI
PODE NÃO MAIS SE SALVAR!


Renato Curse              13 de março de 2.007





14.9.12

Um dia ela vai voltar




Um dia ela vai voltar, 
talvez você nem espere mais; 
mas, acredite, ela ainda vai cobrar 
aquilo tudo que você deixou para trás. 



E ela vai voltar inteira, sem culpa, 
completamente lúcida e elucidada; 
Não vai adiantar pedir desculpas, 
ela será justa, não vai perdoar nada. 



Não, ela não será vingativa, 
mas a vingança pode até vir com ela; 
Qual será então sua justificativa 
quando um dia, enfim, deparar-se com ela? 



Vai se esconder, vai tentar fugir? 
Vai agir de novo de maneira covarde? 
Ah, não vai adiantar, não vai conseguir, 
porque um dia ela sempre volta, ela, a VERDADE





Renato Curse            16 de agosto de 2.012


12.9.12

Eu, Água


Sua sede sou eu quem mata, 
garanto a sua sobrevivência; 
mesmo assim você me maltrata, 
ameaçando a própria existência. 



Você me tem em abundância
mas nunca me dá o devido valor.
Ser mais respeitada é minha esperança,
Mas não demore, por favor.



Polui meus rios, suja meus mares, 
prejudicando os próprios irmãos; 
mata meus filhos que são milhares, 
tudo o que sofro vem das suas mãos! 



E em casa ou até mesmo no serviço, 
ao invés de seguir e dar bom exemplo, 
você me usa e abusa com desperdício, 
a qualquer hora, a qualquer momento. 



Talvez nunca tenha se perguntado 
ou mesmo parado para pensar: 
E se um dia chegar num estado 
de a água potável acabar?! 
O QUE FARÁ??? 
  


Renato Curse            março 2.007





9.9.12

Os loucos de sã consciência




Mas, então, doutor, o que é ser louco?
Será que louco é ser diferente;
É aceitar que o suposto pouco,
para ele, o louco, é mais que suficiente?



O que é ser louco? – lhe pergunto doutor.
Será que é sonhar acordado?
Será que é pensar ou falar sem rancor;
será que é oscilar entre certo e errado?



Será que o louco é mesmo maluco?
Garanto-lhe que o louco, para ele, é você;
Talvez até no papel desse louco eu pergunto:
Doutor, o que faz um louco assim ser?


O louco debocha dos padrões impostos,
hostiliza conceitos de ser ou não ser;
E enquanto da vida você faz terremoto,
o tal louco a aproveita para viver.



Jamais subestime a loucura dos loucos,
Os loucos de sã consciência, doutor;
Pois mesmo que em minoria, esses poucos loucos
sabem como poucos usar a loucura a seu favor.



Sei que o senhor contesta a capacidade dos loucos,
mas, sabe, doutor, nenhum deles se importa com isso,
afinal, são loucos e no fundo, nós, os loucos
somos muito mais felizes, pode apostar nisso!




Renato Curse          10 de setembro de 2.007


7.9.12

O dia em que o Palmeiras representou a Seleção Brasileira



No dia 7 de setembro de 1965, o Brasil parou e concentrou todas suas atenções para Belo Horizonte. Estava sendo inaugurado o Estádio Magalhães Pinto, o “Mineirão”. Obra corajosa, vanguardista, imponente, um dos melhores estádios de futebol do mundo, com capacidade para mais de 100 mil espectadores. Para coroar os festejos da inauguração, organizou-se um amistoso entre a Seleção Brasileira e a do Uruguai e, pela primeira vez na história do futebol brasileiro, uma equipe de futebol, a Sociedade Esportiva Palmeiras, foi convidada para compor toda a delegação, do técnico ao massagista, do goleiro ao ponta-esquerda, incluindo os reservas. Uma primazia única em reconhecimento à melhor equipe do País, que vencia a todos os adversários e convencia, encantava de tal maneira que recebeu da imprensa e do povo a alcunha de “Academia de Futebol”.

O Palmeiras vinha de sucessivas vitórias e acumulando uma invencibilidade de 11 jogos. A equipe estava completa e em plena forma, mas na última hora o craque mais experiente, Julinho, sentiu uma contusão e chegou a pedir para o técnico Filpo Nuñes deixá-lo em São Paulo. Filpo implorou para Julinho viajar com a equipe, mas preparou Germano para substituir o grande craque. Germano era um ponteiro revelado pelo Flamengo, que foi jogar na Itália e França e havia sido repatriado pelo Palmeiras.

Já no vestiário, Julinho, ao perceber a importância daquele momento, com o estádio lotado, o Palmeiras representando a Seleção, não permitiu que Filpo escalasse Germano e informou ao treinador que jogaria aquela partida nem que fosse com uma perna só. O Palmeiras entrou em campo com Valdir Joaquim de Moraes no gol, Djalma Santos (que completaria 92 jogos pela Seleção justamente nesta partida) na lateral direita, Djalma Dias e Waldemar Carabina compondo a zaga e Ferrari na lateral esquerda (no lugar do titular Geraldo Scotto). O meio-campo com Dudu e Ademir, municiando Julinho pela direita, Rinaldo pela esquerda e Tupãzinho e Servilio no ataque.

No banco, Picasso, Procópio, Santo, Zequinha, Germano, Ademar Pantera, Dario e Gildo. Uma verdadeira Seleção Brasileira. Waldemar Carabina foi designado o capitão do time para esta partida. No banco, Don Filpo Nuñes, o “bandoleon”, argentino de nascimento e palmeirense e paulistano por opção, tornar-se-ia naquela tarde o único treinador estrangeiro a dirigir a Seleção Brasileira. Uma honra que ele soube valorizar, respeitar e reconhecer até o fim de sua vida. No jogo desde o começo, o Palmeiras (Seleção Brasileira) se mostrou superior.
Aos 2 minutos, Servílio, de cabeça, quase abriu o placar. Aos 6, Rinaldo avançou e chutou com força rente ao gol do Uruguai. Aos 10, Tupãzinho e Servilio fizeram linda tabela, mas foi somente aos 27 minutos que, num ataque do craque Julinho, este driblou o marcador, avançou e cruzou para a área, mas o zagueiro Cincunegui cortou o cruzamento com o braço, cometendo pênalti. Rinaldo, o batedor oficial, foi lá e fez 1 x 0 para o Brasil.

Pouco depois, aos 30 minutos, houve novo pênalti de Cincunegui, desta vez sobre Rinaldo, que entrava com tudo pela esquerda e foi derrubado, mas o juiz não assinalou. Aos 34, o mesmo Rinaldo desceu pela esquerda e cruzou rasteiro, Tupãzinho dividiu com o zagueiro e na sobra encheu o pé sem chances para Taibo, 2 x 0, e o Mineirão inteiro aplaudia e se encantava com a Academia. No final do primeiro tempo, Ademir da Guia também foi derrubado dentro da área em novo pênalti não marcado pelo árbitro.

No intervalo, o Palmeiras fez as alterações previstas: Picasso no lugar de Valdir; Procópio no de Waldemar Carabina; Zequinha no de Dudu; Germano no de Julinho; e Ademar Pantera no de Tupãzinho. Mesmo com cinco substituições, o Palmeiras voltou tão forte quanto na primeira etapa e continuou dominando a partida. Aos 18 minutos, Dario entrou no lugar de Rinaldo e, após muitas chances perdidas, aos 29 minutos, Germano marcou um golaço, para alegria da torcida brasileira.




Ficha Técnica
Brasil (Palmeiras) 3 x 0 Uruguai

Brasil (Palmeiras)
Valdir de Moraes (Picasso); Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina (Procópio) e Ferrari; Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia; Julinho (Germano), Servílio, Tupãzinho (Ademar Pantera) e Rinaldo (Dario). Técnico: Filpo Núñes.

Uruguai
Taibo (Bogni); Cincunegni (De Britos), Manicera, Varela e Caetano; Nuñez (Lorda) e Duksas; Franco, González, Héctor Silva (Virgílio) e Esparrago (Morales). Técnico: Juan López.

Árbitro: Eunápio de Queiroz
Data: 07/09/65
Local: Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte (MG)
Público: aproximadamente 80.000 pagantes
Renda: Cr$ 49.163.125,00
Gols: Rinaldo (27') e Tupãzinho (35') do 1º tempo; Germano (29') do 2º tempo da etapa final.



Obs.: Havia uma taça em disputa, mas ao final da partida o Palmeiras, entendendo que o troféu pertencia de direito à CBD, pois estava apenas representando-a, deixou o mesmo com a Comissão Organizadora e retornou à São Paulo.

Vinte e três anos depois, em 1988, descobriu-se que o troféu continuava no Mineirão, pois a CBD também não havia requisitado o troféu e assim ficou decidido pelas partes que o Palmeiras deveria honrosamente ficar com o mesmo e que hoje está exposto na Sala de Troféus da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Texto: Porcopédia





DEPOIS DESSE CONVITE, A CBD VOLTARIA A REPETIR O FEITO SÓ EM OUTRAS DUAS OCASIÕES:
EM NOVEMBRO DO MESMO ANO CONVIDOU O CORINTHIANS PARA REPRESENTAR A SELEÇÃO DIANTE DO ARSENAL DA INGLATERRA, EM LONDRES...
(O BRASIL/CORINTHIANS PERDEU POR 2 A 0).

EM 1968, TAMBÉM NO "MINEIRÃO", O ATLÉTICO MINEIRO REPRESENTOU A SELEÇÃO E VENCEU A SELEÇÃO DA IUGOSLÁVIA POR 3 A 2.

DEPOIS DISSO NUNCA MAIS HOUVE NENHUM CONVITE OFICIAL POR PARTE DA CBD/CBF.

(EM 68 O BOTAFOGO-RJ AJUDOU A COMPOR A SELEÇÃO QUE DERROTOU A ARGENTINA POR 4 A 1 NO MARACANÃ, PORÉM HAVIAM 5 JOGADORES DE OUTROS 3 CLUBES CARIOCAS...   EM 1984, A SELEÇÃO OLÍMPICA FOI FORMADA POR ATLETAS DO INTERNACIONAL-RS, PORÉM COM 4 JOGADORES DE OUTROS TIMES)




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5.9.12

Eternamente Pink Floyd


Pink Floyd foi uma banda de rock inglesa formada em Cambridge em 1965, que atingiu sucesso internacional com sua música psicodélica e progressiva. Seu trabalho foi marcado pelo uso de letras filosóficas, experimentações musicais, capas de álbuns inovadoras e shows elaborados. O Pink Floyd é um dos grupos de rock mais influentes e comercialmente bem-sucedidos da história, tendo vendido mais de 200 milhões de álbuns ao redor do mundo.  A banda foi induzida ao Hall da Fama do Rock and Roll em 1996.

A banda, originalmente, consistiu dos estudantes Roger Waters, Nick Mason, Richard Wright e Syd Barrett. Fundado em 1965, eles, inicialmente, tornaram-se populares tocando no cenário underground londrino, no fim dos anos 60. Sob a liderança de Barrett, lançaram dois singles ("Arnold Layne" e "See Emily Play") e um bem-sucedido álbum de estreia, The Piper at the Gates of Dawn, de 1967. O nome Pink Floyd é a abreviação de The Pink Floyd Sound, nome sugerido por Barrett em homenagem a dois músicos de blues admirados por ele: Pink Anderson e Floyd Council.
O guitarrista e vocalista David Gilmour juntou-se à banda em 1968, meses antes da saida de Barrett do grupo, devido ao seu estado de deterioração mental, agravado pelo uso de drogas. Na sequência da perda de seu principal letrista, Roger Waters tornou-se o principal compositor e líder conceitual do grupo, com Gilmour assumindo a guitarra solo e parte dos vocais. Com essa formação o Pink Floyd atingiu o sucesso internacional com álbuns como The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall.
Wright deixou o grupo em 1979, e Waters em 1985, mas Gilmour, Mason e, subsequentemente, Wright, continuaram a gravar e se apresentar. Waters processou-os por questões legais relacionadas ao uso do nome "Pink Floyd"; todavia, a disputa foi resolvida com uma decisão que permitiu a Gilmour e Mason que continuassem a usar o nome, ainda livrando Waters de quaisquer obrigações contratuais com a banda. Dois álbuns foram lançados após esse conflito: A Momentary Lapse of Reason e The Division Bell. Após quase duas décadas de amargor entre seus membros, o Pink Floyd se reuniu em 2005 para uma única apresentação, no concerto para a caridade Live 8. Wright morreu em 2008. Os membros restantes — Waters, Gilmour e Mason — reuniram-se novamente, para um show da The Wall Tour de Waters, em 12 de maio de 2011, na O2 Arena, em Londres; Gilmour tocou "Comfortably Numb" com Waters e "Outside the Wall" com Mason e Waters.
Em entrevista concedida ao jornal italiano La Repubblica no dia 3 de fevereiro de 2006, Gilmour indicava o fim do Pink Floyd, declarando que o célebre grupo não produzirá qualquer novo material, nem voltará a reunir-se novamente. No entanto a possibilidade de se fazer uma apresentação similar ao Live 8 não foi descartada tanto por Gilmour ou Mason.



História
Era Syd Barrett (1964–1968)
O Pink Floyd surgiu de uma banda de rock formada em 1964 que teve vários nomes - Sigma 6, The Meggadeaths, Tea Set e The Abdabs, The Screaming Abdabs, The Architectural Abdabs. Quando a banda se separou, alguns membros---os guitarristas Rado "Bob" Klose e Roger Waters, o baterista Nick Mason e o instrumentista de sopro, Rick Wright---formaram uma nova banda, chamada "Tea Set". Depois de um pequeno período com o vocalista Chris Dennis, o guitarrista e vocalista Syd Barrett se juntou a banda, com Waters mudando para o baixo.
Quando os Tea Set descobriram que outra banda tinha esse mesmo nome, Barrett deu a ideia de um nome alternativo, Pink Floyd Sound, em homenagem aos músicos de blues Pink Anderson e Floyd Council. Por um tempo a banda oscilou entre os dois nomes, até se decidirem pelo segundo. O "Sound" foi deixado de lado rapidamente, mas o "The" continuou sendo usado regularmente até 1968. Os primeiros lançamentos no Reino Unido da banda, durante a era do Syd Barrett, vinham creditados como The Pink Floyd, assim como em seus dois primeiros singles nos EUA. Sabe-se que David Gilmour tenha se referido ao grupo como The Pink Floyd até 1984.
Klose - que era bastante influenciado pelo jazz, saiu depois de ter gravado somente uma demo, deixando uma formação diferente com Barrett na guitarra e vocais principais, Waters no baixo e vocais de apoio, Mason na bateria e percussão, e Wright revezando nos teclados e vocais de apoio. Barrett logo começou a escrever suas próprias composições, influenciado pelo rock psicodélico norte-americano e britânico (também pelo surf music), com extravagância e humor. O Pink Floyd se tornou favorito no movimento underground, tocando em casas como UFO Club, the Marquee Club e The Roundhouse. No fim de 1966, a banda foi convidada para contribuir com canções no documentário "Tonite Let's All Make Love in London", de Peter Whitehead. Eles foram filmados tocando duas faixas, ("Interstellar Overdrive" e "Nick's Boogie") em janeiro de 1967. Apesar de que quase nenhuma dessas canções tenham participado do filme, elas acabaram sendo lançadas como "London 1966/1967" em 2005.
Como a popularidade da banda ia crescendo, os membros formaram a Blackhill Enterprises em outubro de 1966, uma sociedade a seis, com seus agentes Peter Jenner e Andrew King, lançando os singles, "Arnold Layne", em março de 1967 e, "See Emily Play". em junho de 1967. "Arnold Layne" alcançou o número 20 das paradas britânicas, e "See Emily Play" alcançou número 6, o que garantiu à banda a primeira participação em cadeia nacional no programa de TV Top of the Pops em julho de 1967. Anteriormente, eles haviam aparecido tocando "Interstellar Overdrive" no UFO Club, em um curto documentário, "It's So Far Out It's Straight Down". Isso foi ao ar em Março de 1967, mas apenas transmitido à região de Granada do Reino Unido.
Lançado em Agosto de 1967, o primeiro álbum da banda, The Piper at the Gates of Dawn, é atualmente considerado um ótimo exemplo da música psicodélica britânica, e foi bem recebido pelo críticos da época. Atualmente, é visto como o melhor primeiro álbum por muitos críticos. As faixas, predominantemente escritas por Barrett, mostram letras poéticas e uma mistura eclética de música, desde a faixa de vanguarda com livre-forma, "Interstellar Overdrive", até canções "assobiavéis" como "The Scarecrow", inspirada nas Fenlands, uma região rural ao norte de Cambridge (cidade de Barrett, Waters e Gilmour). As letras eram inteiramente surreais, às vezes fazendo referência ao folclore, como em "The Gnome". A canção refletia novas tecnologias de eletrônicos, com o uso constante de espaçamento no estéreo, edição de fita, efeitos de eco, e teclados. O álbum foi um hit no Reino Unido, onde alcançou a 6ª posição das paradas, mas não foi muito bem na América do Norte, alcançando a posição número 31 nas paradas dos EUA. Durante esse período, a banda excursionou com Jimi Hendrix, o que ajudou a aumentar sua popularidade. Um fato notável sobre o disco é que ele foi gravado simultaneamente ao aclamado Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles, no estúdio da Abbey Road, e os integrantes das bandas frequentemente se encontravam no corredor e conversavam sobre influencias musicais. Ambos álbuns são hoje citados como o início do rock progressivo.

Declínio de Barrett
Enquanto a banda se tornava mais popular, o stress da vida na estrada e o consumo relevante de drogas de Syd Barrett deteriorou sua saúde mental. O comportamento de Barrett foi se tornando cada vez mais imprevisível e estranho, fato atribuído ao constante uso de LSD. Conta-se que às vezes ele ficava encarando algum ponto, enquanto a banda tocava; durante algumas apresentações, ele somente tocaria um acorde o concerto inteiro, ou aleatoriamente desafinava sua guitarra.
Chegou um momento em que os outros membros da banda decidiram por simplesmente não levar mais Syd para os shows. Chamaram então o guitarrista David Gilmour, já conhecido de Barrett e Waters, e quem ensinou Syd a tocar guitarra, que se juntou à banda para ajudar Barrett com suas tarefas, apesar de Jeff Beck ter sido considerado. Inicialmente, esperava-se que Barrett fizesse composições enquanto Gilmour tocaria nos shows. Mas composições como "Have You Got It Yet", com progressões de acordes e melodias diferentes a cada take, fez com que o resto da banda desistisse dessa ideia. O último show da banda com Barrett foi em 20 de janeiro de 1968, em Hastings Pier, mas a saída de Barrett só foi formalizada em abril de 1968. Os produtores Jenner e King, decidiram continuar com Syd, o que pos fim à sociedade Blackhill Enterprises e fez a banda escolher Steve O'Rourke como empresário, que permaneceu com eles até sua morte em 2003.
Depois de gravar dois álbuns solo (The Madcap Laughs e Barrett) em 1970 (co-produzido por, e as vezes com participações de Gilmour, Waters e Wright) com sucesso razoável, Barrett então foi para reclusão, ideia muitas vezes rebatida por sua família, que disse não ter sido exatamente assim. Novamente chamado pelo nome oficial, Roger Keith "Syd" Barrett, viveu uma vida pacata em sua cidade natal, Cambridge, até sua morte em 7 de Julho de 2006.


Procurando novos caminhos: 1968-1970
Esse foi um período de experimentações musicais da banda. Cada um dos integrantes do Pink Floyd - Gilmour, Waters e Wright - contribuía com canções que tinham sua própria sonoridade e voz, o que resultava num material menos consistente e coeso que o da era Barrett, quando o som era mais trabalhado. Se anteriormente Barrett era a voz e o compositor principal, agora Gilmour, Waters e Wright dividem composições de letras e vozes principais. Geralmente, Waters escrevia canções mais lentas, com melodias de Jazz, linhas de baixos complexas e dominantes, e letras simbólicas; Gilmour focava-se em jams de blues levadas pela guitarra; e Wright preferia melodias pesadas psicodélicas de teclado. Diferente de Waters, Gilmour e Wright preferiam faixas que tinham letras simples ou que fossem puramente instrumentais. Alguns números músicais mais experimentais da banda são desse período, como "A Sauceful of Secrets", contendo bastante barulhos, feedback (realimentação), percussões, osciladores, loops; e "Careful with That Axe, Eugene" (que foi chamada por vários outros nomes também), uma faixa levada por Waters, com baixo e um pesado improviso de teclado, culminando em uma bateria forte, e gritos de Waters.
Enquanto Barrett escreveu praticamente todo o primeiro álbum, nesse álbum ele participa das composições com "Jugband Blues". Barrett também tocou nas faixas "Remember A Day" (gravada durante as sessões do The Piper) e "Set The Controls For The Heart Of The Sun" (a única faixa que apresenta Barrett e Gilmour dividindo as guitarras). "A Saucerful of Secrets" foi lançado em junho de 1968, alcançando número 9 das paradas do Reino Unido e se tornando o único álbum do Pink Floyd que não apareceu nas paradas dos EUA. De algum jeito, apesar da saída de Barrett, o álbum ainda contém bastante da sonoridade psicodélica combinada com mais música experimental que seria amplamente mostrada em Ummagumma. A faixa principal, A Saucerful of Secrets, com doze minutos de duração, chegou ao estilo épico de duração que composições futuras chegariam. Se o álbum foi mal recebido pelos críticos da época, muitos críticos de hoje tendem a ser mais leves nas críticas dentro do contexto da carreira do Pink Floyd.
Os Pink Floyd foram recrutados pelo diretor Barbet Schroeder para produzir uma trilha sonora para um filme seu, "More", que estreou em maio de 1969. A obra foi lançada como um álbum do Floyd em seu próprio direito, Music From the Film More (também chamado simplesmente como "More"), alcançando o nono lugar das paradas do Reino Unido e chegando ao 153º lugar das paradas dos EUA em 1969. Críticos tendem a achar o conjunto da música para o filme como remendada e desigual. A banda usaria isso e sessões de trilha sonoras futuras para produzir trabalhos que não se encaixavam na ideia do que deveria aparecer em um álbum do Pink Floyd; a maioria das faixas do "More" foram canções folk, acústicas. Duas dessas canções, "Green Is the Colour" e "Cymbaline", se tornaram comuns em repertórios da banda por um tempo e também parte do suite "The Man & The Journey", como pode ser ouvido em muitas gravações de bootlegs desse período. "Cymbaline" também foi a primeira canção do Pink Floyd a lidar com a atitude cínica de Waters contra a indústria fonográfica explicitamente. O resto do álbum consiste em canções incidentais de vanguarda da trilha (algumas dessas também fizeram parte do concerto The Man/The Journey) e algumas faixas de rock mais pesadas jogadas no meio, como "The Nile Song".
O próximo álbum, o quadruplo Ummagumma, foi uma mistura de gravações ao vivo e experimentações de estúdio dos membros, em que cada um gravou metade do lado do vinil como um projeto solo (a noiva de Mason da época faz uma contribuição não-creditada como flautista). Apesar do álbum ter as gravações solo e ao vivo, era esperado originalmente que fosse uma mistura de vanguarda, de sons de instrumentos "achados". As conseqüentes dificuldades de gravação e falta de organização em grupo levou ao fechamento desse projeto. O título é uma gíria sexual de Cambridge e reflete a atitude da banda naquela época. A banda foi amplamente experimental no álbum de estúdio, que contém a composição puramente folk de Waters "Grantchester Meadows", uma peça de piano dissonante, "Sysyphus", uma composição com uma textura mais progressiva, "The Narrow Way", e um grande solo de percussão, "The Grand Vizier's Garden Party". "Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict" é uma canção de 5 minutos, composta inteiramente pela voz de Roger Waters tocada em diferentes velocidades, resultando em barulhos que lembram roedores e pássaros. Grande parte do álbum de estúdio já era tocado ao vivo no concerto conceitual "The Man & The Journey". O álbum ao vivo apresenta aclamadas performances de algumas das mais populares canções da era psicodélica deles, fazendo com que o álbum fosse mais bem recebido pelos críticos do que os dois álbuns anteriores. A obra foi o trabalho mais popular até essa época, alcançando 5º posição no Reino Unido e 74º lugar nos EUA.
Atom Heart Mother, de 1970, foi a primeira gravação da banda com uma orquestra, com colaboração do compositor de vanguarda Ron Geesin. Um lado do álbum consistia na faixa-título de quase 24 minutos de duração, uma longa suite de orquestração de rock. O segundo lado apresentava uma canção de cada membro da banda, até então vocalistas ("If", a canção folk-rock de Roger Waters; a levada de blues "Fat Old Sun" de David Gilmour; e a nostálgica "Summer '68", de Rick Wright). Outra faixa longa, a "Alan's Psychedelic Breakfast" foi uma colagem de som, de um homem cozinhando e comendo um café-da-manhã e seus pensamentos, ligados com instrumentais. O uso de barulhos, efeitos sonoros incidentais e samplers de voz seria, no futuro, uma parte importante do som da banda. "Atom Heart Mother" possui uma das mais enigmáticas capas de álbuns até hoje, estampando a "Lullubelle III", foto retirada no interior inglês. Este foi também o primeiro álbum da banda com grande propaganda. Apesar de "Atom Heart Mother" ter sido considerado um grande passo para trás pela banda na época, é até hoje considerado pelos fãs como um dos mais inacessíveis álbuns. Ele teve a melhor performance da banda nas paradas até então, alcançando o 1º lugar no Reino Unido e o 55º, nos EUA. Tem sido descrito tanto como "um monte de besteira" por Gilmour, quanto "jogue-o na gaveta e nunca mais o ouça" por Waters. O álbum foi um componente desta fase transitória do grupo, explorando diferentes territórios musicais. A popularidade do álbum permitiu que o Pink Floyd embarcasse em sua primeira turnê completa pelos EUA.
Antes do lançamento do seu próximo álbum original, a banda lançou uma coletânea chamada "Relics", que continha vários singles do começo da carreira e B-sides, além de uma canção original (estilo Jazz por Waters, "Biding My Time", parte do concerto "The Man/The Journey", gravada durante as sessões do 'Ummagumma). Eles também contribuíram para a trilha sonora do filme "Zabriskie Point", apesar de muitas contribuições deles terem sido descartadas pelo diretor Michelangelo Antonioni.


Era do Estouro 1971-1975
Durante esse período, o Pink Floyd se distanciou da cena psicodélica e se tornou uma banda distinta, até dificil de se classificar. Os estilos divergentes dos principais compositores - Gilmour, Waters e Wright - se amalgamaram em uma sonoridade única. Essa era contém o que muitos consideram serem dois álbuns obras-primas da carreira da banda, The Dark Side of the Moon e Wish You Were Here. O som se tornou mais trabalhado e com colaboração de todos, incluindo letras filosóficas e linhas de baixos mais aparentes de Waters, estilo único de guitarra de blues de Gilmour e assustadoras melodias de teclados e texturas harmônicas de Wright. Gilmour foi o vocalista dominante desse período, e contribuições de corais femininos e o saxofone de Dick Parry se tornaram parte do estilo da banda.
O som destonal e duro do começo da carreira da banda abriu caminho para um som bastante suave e calmo, que chegou ao máximo com "Echoes". Esse período marcou o fim da era verdadeiramente colaborativa da banda; depois de 1973, a influência de Waters se tornou cada vez mais dominante musicalmente e nas letras. A última composição creditada por Wright e última participação como vocal principal num álbum de estúdio até Division Bell, de 1994, é desse período ("Shine On You Crazy Diamond" e "Time", respectivamente). Os créditos de letra de Gilmour também diminuiram gradualmente em frequência até a saída de Waters da banda em 1985, embora ele tenha continuado a fazer a voz principal e escrever canções durante o período. Os últimos laços com Barrett estão presentes em Wish You Were Here, cuja canção principal, "Shine On You Crazy Diamond", foi escrita como tributo e elogio a Barrett.
A sonoridade da banda foi consideradamente mais focalizada em Meddle (1971), com a canção épica de 23 minutos, "Echoes", tomando todo o lado B do álbum. "Echoes" é uma leve canção de rock progressivo com longos solos de guitarra e teclado, e uma longa seção intermediária consistindo praticamente só de música sintetizada produzida por guitarras, órgãos e sintetizadores, complementada por um pedal wah wah de guitarra ao contrário. Conseguiu-se, dessa forma, algo que soava como samplers de albatrozes, descrito por Waters como um "poema sônico". Meddle foi considerado por Nick Mason como "o primeiro álbum real do Pink Floyd. Ele introduziu a ideia de um tema a que o álbum pode ser voltado." O álbum teve som e estilo bem sucedidos na época em que foi lançado, mas não teve a presença da orquestra que foi notável em Atom Heart Mother. Meddle também inclui a atmosférica "One of These Days", uma canção muito utilizada em concertos, apresentando uma única linha de voz de Nick Mason ("One of these days, I'm going to cut you into little pieces"), slide guitar distorcida e com estilo de blues, e uma melodia que, em certo ponto, se esvai em um pulso sintético, citando o tema de um clássico programa de TV, Doctor Who. O sentimento melancólico dos próximos três álbuns está bastante presente em "Fearless". Essa faixa mostra influência de folk e contém uma substancial slide guitar em "A Pillow of Winds", uma das únicas canções acústicas do Floyd que lidam com amor. O papel de Waters como escritor começa a tomar forma com sua "San Tropez" em estilo de jazz, que ele trouxe praticamente completa para a banda. Meddle foi recebido entusiasticamente por críticos e fãs e alcançou 3º lugar no Reino Unido. Nos EUA não passou do 70º lugar. De acordo com Nick Mason, isso foi em parte porque a Capitol Records não promoveu o álbum com publicidade suficiente. Hoje, Meddle resiste como um dos mais aclamados trabalhos da banda.
Obscured By Clouds foi lançado em 1972 como trilha sonora para o filme La Valle, outro filme independente de Barbet Schroeder. Foi um dos álbuns da banda a chegar ao Top 50 nos EUA (onde alcançou 4º lugar) e chegou ao 1º lugar no Reino Unido. Embora Mason tenha descrito o álbum anos depois como "sensacional", ele foi pouco aclamado pelos críticos. As letras de "Free Four", a primeira canção do Pink Floyd a tocar razoavelmente nas rádios dos EUA, introduziram os pensamentos da morte do pai de Waters na Segunda Guerra Mundial, o que se repetiria nos álbuns seguintes. Outras duas canções do álbum, "Wot's... Uh The Deal" e "Childhood's End", também lidaram com temas que voltaram a ser usados em álbuns futuros (solidão e desespero), que se tornariam mais comuns na era liderada por Roger Waters; e temas que também seriam trabalhados bastante no próximo álbum, como fixação na vida, morte, e a passagem do tempo. "Childhood's End", inspirada no livro do Arthur C. Clarke de mesmo nome, foi a última contribuição de letra de Gilmour por 15 anos. O álbum foi, de modo geral, diferente em estilo de Meddle, e as vezes até considerado como folk-rock, blues-rock e levada de piano soft-rock:"Burning Bridges", "The Gold It's in the..." and "Stay" sãoos melhores exemplos de cada estilo.
O lançamento com sucesso em massa de 1973, The Dark Side of the Moon, foi o ápice de popularidade da banda. O Pink Floyd havia parado de lançar singles depois de "Point Me at the Sky" em 1968, e nunca havia sido uma banda levada pelos singles hits, mas Dark Side of the Moon teve um single no Top 20 dos EUA com "Money".
O álbum foi o primeiro a chegar ao 1º lugar das paradas dos EUA, e até Dezembro de 2006 havia acumulado 15 milhões de unidades vendidas no mercado americano, tornando-se um dos álbuns com melhor desempenho comercial da história dos EUA. No mundo todo, Dark Side superou 40 milhões de cópias vendidas. O álbum ficou no Top 200 da Billboard por 1094 semanas (incluindo 591 semanas consecutivas, de 1976 até 1988), um feito sem precedentes que estabeleceu um record mundial. Ele também permaneceu 1301 semanas nas paradas do Reino Unido e, apesar de não ter passado da 2ª posição lá, foi extremamente bem recebido pelos críticos.O saxofone forma uma parte importante do som do álbum, expondo a influência de Jazz da banda (especialmente a de Rick Wright) e cantoras de apoio, fazem uma parte principal em ajudar a diversificar a textura do álbum. Por exemplo, canções como "Money" e "Time" são colocadas em ambos sons melancólicos de slide guitar (remanescente do Meddle) em "Breathe (Reprise)", e levada, pelo canto feminino "The Great Gig in the Sky" (com Clare Torry nos vocais principais), enquanto a minimalista em instrumentos "On the Run" é tocada praticamente inteira em um único sintetizador. Efeitos sonoros incidentais e partes de entrevistas são apresentadas ao longo das canções, a maioria delas, gravadas em estúdio. As entrevistas de Waters começavam com perguntas como "Qual é sua cor favorita?" uma tentativa em deixar as pessoas mais confortáveis. Então ele perguntava "Quando foi a última vez que você foi violento? E você estava certo?" Outras perguntas também eram, "Você tem medo de morrer ?" As letras do álbum e tentativa de som em descrever as diferentes pressões que a vida no dia-a-dia atua no ser humano. Esse conceito (concebido por Waters em uma reunião da banda por perto da mesa da cozinha do Mason) provou ser poderoso com a banda, e juntos eles fizeram uma lista de temas, vários, os quais seriam re-utilizados em álbuns seguintes, como o uso de violência e a futilidade da guerra em "Us and Them", e temas como insanidade e neurose discutido em "Brain Damage". As complicadas e precisas formas de engenheiro no som do álbum, com Alan Parsons, ditaram novos parâmetros para fidelidade de som; o que virou um aspecto reconhecível da banda, e foi um forte forma no que diz a longa permanência nas paradas do álbum, enquanto audiófilos constantemente trocam suas cópias desgastadas.
Procurando capitalizar a sua recém chegada fama, a banda também lançou uma coletânea chamada A Nice Pair, o que foi uma junção dos dois primeiros álbuns, The Piper at the Gates of Dawn e A Saucerful of Secrets. E também foi durante esse período que o diretor Adrian Maben lançou o primeiro filme concerto do Pink Floyd, o Live at Pompeii. O corte original para os cinemas, apresentava a banda tocando em 1971 num anfiteatro em Pompeia com nenhum plateia presente, exceto pela equipe de filmagem e equipe da banda. Maben também gravou entrevistas e os bastidores da banda durante as sessões de gravações do Dark Side of the Moon nos estúdios Abbey Road; apesar da cronologia dos eventos indicar que as sessões de gravação podem ter acontecido depois da gravação, eles promoveram uma olhada no processo envolvido na produção do álbum. Essas filmagens foram incorporadas em futuros lançamentos de Live at Pompeii.
Depois do sucesso do Dark Side, a banda não estava certa sobre sua direção futura e estava preocupada em como conseguiriam superar a enorme popularidade daquele álbum. Em retorno ao experimentalismo, eles começaram a trabalhar em um projeto chamado Household Objects, que consistia em canções tocadas literalmente em objetos caseiros. No entanto o planejamento do álbum foi logo deixado de lado, depois que a banda decidiu que seria mais fácil e melhor tocar canções em instrumentos de verdade. Nenhuma gravação terminada dessas sessões existe, mas alguns efeitos gravados foram usados no próximo álbum.
Wish You Were Here, lançado em 1975, carrega um tema abstrato de abstência de qualquer humanidade dentro da indústria fonográfica e, mais importante, a abstência de Syd Barrett. Bem conhecido por sua faixa-título, o álbum inclui o grande instrumental de nove partes "Shine On You Crazy Diamond", um tributo para Barrett em que as letras lidam explicitamente com seu declínio. A maioria das influências musicais do passado da banda foram juntas - teclados atmosféricos, peças de guitarras de blues, solos de saxofone (por Dick Parry), fusão de Jazz com agressiva slide guitar - nas várias partes ligadas da suite, culminando numa marcha fúnebre, tocada por sintetizador, e terminando com uma citação musical do antigo single "See Emily Play" como final demonstração da liderança inicial de Barrett na banda. As demais faixas, "Welcome to the Machine" e "Have a Cigar", criticam duramente a indústria fonográfica e essa última foi cantada por cantor folk Roy Harper. Essa foi o terceiro álbum do Pink Floyd a chegar ao 1º lugar das paradas do Reino Unido e dos EUA, e os críticos o aclamam tão entusiasticamente quanto Dark Side of the Moon.
Em uma história conhecida, um homem obeso, com cabeça e sobrancelhas inteiramente raspadas, andou pelo estúdio enquanto a banda mixava "Shine On You Crazy Diamond". A banda não o reconheceu por um tempo, quando de repente um deles percebeu que ele era Syd Barrett. Quando perguntado como ele chegou àquele peso, ele respondeu "Eu tenho uma frigideira grande na cozinha e eu estive comendo bastante carne de porco". Em uma entrevista em 2001 no documentário da BBC "Syd Barrett: Crazy Diamond" (lançado posteriormente em DVD como "The Pink Floyd Story and Syd Barrett Story"), a história é contada por inteira. Rick Wright disse sobre a sessão, dizendo "Uma coisa que fica na minha mente, que eu nunca esquecerei; eu estava indo para as sessões de Shine On. Eu fui ao estúdio e eu vi esse cara sentado no fundo do estúdio, ele estava distante, do mesmo jeito que eu de você. E eu não o reconheci. Eu disse -quem é aquele cara atrás de você?- -"Aquele é o Syd". Eu não acreditei… ele havia raspado todo seu cabelo… digo, suas sobrancelhas, tudo… ele estava pulando para cima e para baixo escovando seu dente, aquilo foi horrível. E ah, eu estava, quer dizer, Roger estava em prantos, eu acho que ele estava; nós estávamos em prantos. Aquilo foi realmente chocante… sete anos sem contato algum e de repente ele aparece enquanto estávamos fazendo aquela faixa. Eu não sei - coincidência, carma, destino, quem sabe? Mas aquilo foi, muito, muito poderoso". No mesmo documentário, Nick Mason disse: "Quando eu penso sobre isso, eu ainda posso ver seus olhos, mas… foi o resto que estava diferente". Na mesma entrevista Roger Waters disse: "Eu não tive ideia de quem ele foi por um bom tempo". David Gilmour contou: "Nenhum de nós reconheceu ele. Raspado… raspado careca e bem gordo". Na versão definitiva de 2006 do documentário, as entrevistas com os ex-parceiros de banda de Barrett estão inclusas sem edição, com bem mais detalhes dos sentimentos e ações deles, durante o trágico esgotamento e a saída de Barrett da banda.


Era Roger Waters 1976-1985
Durante essa era, Waters tomou cada vez mais e mais controle do trabalho do Pink Floyd. Waters demitiu Wright depois que o The Wall foi terminado, argumentando que Wright não estava contribuindo muito, em parte por causa do vicio de cocaína. Waters declarou que Gilmour e Mason apoiaram a decisão para demiti-lo, mas em 2000 Gilmour declarou que ele e Mason foram contra a demissão. Nick Mason disse que Wright foi demitido por causa da Columbia Records que ofereceu a Waters um substancial bônus, para finalizar o álbum a tempo para um lançamento em 1979. Desde que Wright recusou voltar mais cedo de suas férias de verão, Waters queria demití-lo. Wright foi demitido da banda, mas continuou para terminar o álbum e tocar na turnê como um músico pago.
A maioria da música desse período é considerada secundária em relação às letras, nas quais Waters explora os sentimentos sobre a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial e sua crescente atitude de cinismo contra figuras políticas como Margaret Thatcher e Mary Whitehouse. A música cresceu mais orientada pela guitarra com teclados e saxofones, que se tornaram uma grande parte da textura do contexto da música, junto com efeitos sonoros obrigatórios. Uma orquestra completa (ainda maior do que a de metais em Atom Heart Mother) faz um papel significante em The Wall e especialmente em The Final Cut. Por volta de janeiro de 1977, e pelo lançamento do Animals (chegando ao 1º lugar no Reino Unido e 1º nos EUA), a música da banda veio sob uma crescente crítica da atmosfera do punk rock, dizendo que eles eram muito pretensiosos, e perderam o caminho da simplicidade que era o rock and roll.
Animals, no entanto, foi considerado mais orientado pela guitarra do que os álbuns anteriores, tanto pela influência do movimento punk rock quanto pelo fato de que o álbum foi gravado pelo novo (e por algum acaso, incompleto) estúdio Britannia Row. O álbum foi o primeiro a não ter uma composição feita por Wright. Animals, de novo, contém canções longas, ligadas por um tema, desta vez, tirado em parte do livro Animal Farm (O Triunfo dos Porcos em Portugal e A Revolução dos Bichos no Brasil) de George Orwell, em que usou "Pigs" (Porcos), "Sheep" (Ovelhas) e "Dogs" (Cachorros) como metáforas dos membros da sociedade contemporânea. Apesar da relevante guitarra, sintetizadores ainda fazem uma importante parte em Animals, mas é carente do trabalho de saxofone e vocais femininos, utilizados nos últimos dois anteriores álbuns. O resultado no geral é um trabalho mais hard-rock, ligados por duas partes de uma peça acústica. Muitos críticos não receberam muito bem o álbum, considerando-o tedioso e vazado; apesar de outros críticos falarem bem dele, praticamente por causa dessas razões. Para a capa do encarte, um porco inflável gigante foi considerado para voar entre as torres da Estação de Energia Battersea (Battersea Power Station). No entanto o vento fez com o que fosse difícil de controlar o balão de porco, e no final foi necessário inserir a foto do porco na imagem. O porco foi criado pelo designer industrial e artista Theo Botschuijver. O porco no entanto se tornou um dos mais memoráveis símbolos do Pink Floyd e porcos infláveis são utilizados em concertos do Pink Floyd desde então.
A ópera rock de 1979, The Wall, concebida por Waters, lida com temas como solidão e falha de comunicação, que foram expressos pela metáfora de um muro construído entre um artista de rock e sua audiência. O momento decisivo para o concebimento do The Wall foi durante um concerto em Montreal no Canadá, no qual Roger Waters cuspiu num membro da plateia enquanto este tentava subir para o palco - esse foi o ponto onde Waters sentiu a alienação entre a plateia e a banda. O álbum deu críticas renomadas ao Pink Floyd e teve um único single, "Another Brick in the Wall (Part 2)", que alcançou o topo das paradas. The Wall também contém faixas que seriam comuns em concertos posteriormente, como "Comfortably Numb" e "Run Like Hell", que são duas das mais conhecidas canções do grupo.
O álbum foi co-produzido por Bob Ezrin, um amigo de Waters que divide com ele os créditos em "The Trial". Ainda mais do que as sessões do Animals, Waters estava certo sobre sua influência artística e liderança sobre a banda, usando a boa situação financeira da banda a seu favor, o que trouxe conflito com os outros integrantes. A música se tornou distintivamente mais hard rock, apesar de grandes orquestrações em algumas faixas lembram um período passado e têm-se algumas composições mais calmas também, como "Goodbye Blue Sky", "Nobody Home", e "Vera". A influência de Wright foi completamente minimizada e ele foi demitido da banda durante as gravações, somente retornando com um salário fixo, para tocar nos concertos. Ironicamente, Wright foi o único membro do Pink Floyd que ganhou algum dinheiro dos shows da turnê do The Wall, os quais passaram por várias cidades - incluindo Dortmund, Londres, Los Angeles, Nova Iorque - durante várias noites, e o resto teve que bancar o custo alto dos mais espetaculares concertos até então. Em 1989, depois do Muro de Berlin cair na Alemanha, Roger Waters concordou em tocar o The Wall ao vivo onde ficava originalmente o muro.
The Wall ficou 15 semanas no topo das paradas dos EUA em 1980. Críticos o receberam bem, e ele chegou aos 23 álbuns de platina pela RIAA pelas vendas de 11,5 milhões de cópias do álbum duplo somente nos EUA. O enorme sucesso comercial do The Wall fez do Pink Floyd os únicos artistas desde os Beatles a terem os álbuns mais vendidos de dois anos (1973 e 1980) em menos de uma década.
Um filme intitulado Pink Floyd: The Wall foi lançado em 1982, incorporando praticamente toda a música do álbum. O filme, escrito por Waters e dirigido por Alan Parker, estrelou o fundador do Boomtown Rats, Bob Geldof, o qual regravou a maioria dos vocais, e ainda apresenta animação pelo notável artista e cartunista britânico, Gerald Scarfe. Leonard Maltin, um crítico de cinema, se refere ao filme como "o maior video de rock do mundo, e certamente o mais depressivo", mas o filme arrecadou mais de quatorze milhões nas bilheterias norte-americanas. Uma canção que apareceu no filme "When the Tigers Broke Free", foi lançada como single. A canção foi lançada depois na coletânea Echoes: The Best of Pink Floyd e no re-relançamento do The Final Cut. Também no filme, há a canção "What Shall We Do Now?", que foi cortada do álbum original devido a duração do vinil. As únicas canções do álbum que não foram usadas foram "Hey You" e "The Show Must Go On".
O álbum The Final Cut de 1983 foi dedicado ao pai de Waters, Eric Fletcher Waters. Ainda mais sombrio em sonoridade que o The Wall, esse álbum re-examinou vários temas anteriormente discutidos, mas se dirigindo a fatos da época, incluindo a raiva de Waters da participação da Inglaterra na Guerra das Malvinas, a culpa que ele colocou nos líderes políticos ("The Fletcher Memorial Home"). E conclui com uma visão cínica de uma possível guerra nuclear ("Two Suns in the Sunset"). Michael Kamen e Andy Bown contribuíram com trabalho de piano, por causa da saída de Richard Wright (que não foi formalmente anunciada antes do lançamento do álbum). Em The Final Cut foi empregado o método de gravação binaural.
Apesar de tecnicamente ser um álbum do Pink Floyd, o nome da banda não aparece escrito no encarte do LP, somente atrás aparece: "The Final Cut - Um réquiem para o sonho do pós-guerra por Roger Waters, tocado pelo Pink Floyd: Roger Waters, David GIlmour e Nick Mason". Roger Waters recebeu os créditos totais para o álbum, o que se tornou um protótipo do som que ele faria em próximos álbuns em sua carrreira solo. Waters disse que ele sugeriu lançar o álbum como um álbum solo, mas o resto da banda rejeitou a ideia. No entanto, no seu livro Inside Out, Nick Mason diz que isso nunca aconteceu. Gilmour declarou que pediu a Waters para segurar o lançamento do álbum, para que então pudesse escrever material suficiente para contribuir, mas esse pedido foi negado. O tom da canção é bastante similar ao do The Wall mas também mais quieto e suave, lembrando canções como "Nobody Home" mais do que "Another Brick in the Wall (Part 2)", por exemplo. Ele também é mais repetitivo, com certos temas que aparecem repetidamente pelo álbum. Teve somente sucesso moderado com os fãs (atingindo 1º lugar no Reino Unido e nos EUA), mas recebeu otimos alogios do críticos. O álbum teve um pequeno hit, "Not Now John", a única faixa hard-rock do álbum (e a única em particular em ter Gilmour cantando). As discussões entre Waters e Gilmour nesse ponto eram tão ruins que eles supostamente não eram visto gravando no mesmo estúdio simultaneamente. Gilmour disse que ele queria continuar a fazer rock de boa qualidade, e sentiu que Waters estava construindo sequências de peças de canções meramente como um veículo para suas letras críticas sociais. Waters diz que seus companheiros de banda nunca entenderam completamente a importância dos comentários sociais que ele fazia. Pelo fim da gravação, o crédito de co-produção de Gilmour foi tirado do encarte do álbum (apesar de ele ter recebido os direitos autoriais). Não houve turnê para esse álbum, apesar de as canções do álbum terem sido apresentadas por Waters em suas futuras turnês solo. Depois do Final Cut, a Capitol Records lançou a coletânea Works, que fez com que a faixa de Waters de 1970, "Embryo" estivesse disponível pela primeira vez em um álbum do Pink Floyd.
Os membros da banda foram para seus caminhos separados e gastaram tempo trabalhando em projetos individuais. Gilmour foi o primeiro a lançar seu álbum solo About Face em Março de 1984. Wright juntou forças com Dave Harris para formar uma banda nova, Zee, a qual lançou o álbum experimental Identity um mês depois do projeto de Gilmour. Em Maio de 1984, Waters lançou The Pros and Cons of Hitch Hiking, um álbum conceitual que já havia sido proposto para a banda. Waters o havia escrito ao mesmo tempo que The Wall, e quando propôs ambos projetos para a banda, decidiu-se por The Wall. Um ano depois dos projetos dos companheiros de banda, Mason lançou o álbum Profiles, em conjunto com Rick Fenn, o qual teve participações de Gilmour e o tecladista Danny Peyronel.



Era David Gilmour: 1987-1995
Em Dezembro de 1985 Waters anunciou que estava saindo do Pink Floyd e descreveu a banda como "uma força criativa desgastada", embora em 1986 Gilmour e Mason começassem a gravar um novo álbum para o Pink Floyd. Ao mesmo tempo, Roger Waters estava trabalhando em seu outro álbum solo, chamado Radio K.A.O.S. (1987). Uma disputa legal foi inciada por Waters, reivindicando que o nome "Pink Floyd" deveria ser colocado de lado, mas Gilmour e Mason seguraram sua convicção que eles tinham direitos legais para continuar com o "Pink Floyd". O processo acabou se acertando por um acordo fora dos tribunais.
Depois de considerar e rejeitar muitos títulos, o novo álbum foi lançado como A Momentary Lapse of Reason (que alcançou 1º lugar no Reino Unido e nos EUA). Sem Waters, que foi dominantemente o letrista da banda por uma década, a banda recebeu ajuda de escritores de fora. Como o Pink Floyd nunca havia feito isso antes (exceto pelas contribuições orquestrais com Geesin e Ezrin), essa atitude recebeu muitas críticas. Ezrin, que renovou a sua amizade com Gilmour em 1983 quando Ezrin co-produziu o álbum About Face, tanto co-produziu como foi um dos escritores, além de Jon Carin, que escreveu a canção "Learning to Fly" e tocou bastante dos teclados do álbum. Wright também retornou, e inicialmente foi colocado como um músico assalariado durante as finalizações das gravações, se juntando oficialmente à banda em sua nova turnê.
Mais tarde, Gilmour admitiu que Mason e Wright tiveram pouca participação no álbum. Por causa das poucas contribuições de Mason e Wright, alguns críticos dizem que A Momentary Lapse of Reason deveria ser considerado como um trabalho solo de Gilmour, do mesmo jeito que The Final Cut seria um trabalho solo de Waters.
Um ano depois, a banda lançou o álbum ao vivo Delicate Sound of Thunder (1988) e mais tarde gravou instrumentais para um filme clássico de corrida, chamado La Carrera Panamericana, filmado no México e com Gilmour e Mason participando como motoristas. Durante a corrida, Gilmour e o agente Steve O'Rourke (como seu guia) bateram. O'Rourke teve sua perna quebrada, mas Gilmour saiu somente com alguns arranhões. Os instrumentais são notáveis por incluirem o primeiro material do Pink Floyd co-escrito por Wright desde 1975, tanto como o único material co-escrito por Mason desde Dark Side of the Moon.
Em 1992, eles lançaram o box Shine On. O set de 9 CDs incluía relançamentos dos álbuns de estúdio, A Saucerful of Secrets, Meddle, The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals, The Wall e A Momentary Lapse of Reason. Um disco bônus chamado The Early Singles também foi incluso. O encarte incluía caixa que permitia que os álbuns ficassem em pé juntos, formando a imagem da capa do Dark Side of the Moon. O texto circular de cada CD inclui as palavras praticamente ilegíveis "The Big Bong Theory". Nesse ano também ocorreu o lançamento do álbum solo Amused to Death, de Waters. A próxima gravação da banda foi o The Division Bell de 1994, que contém muito mais trabalho em grupo do que o Momentary Lapse teve, com Wright reinstalado como um membro total do grupo. O álbum foi recebido mais favoravelmente pelos críticos e fãs do que o Momentary Lapse, mas foi intensamente criticado como cansativo e feito sob fórmulas. Este foi o segundo álbum a chegar ao 1º lugar em ambas paradas do Reino Unido e dos EUA.
The Divison Bell foi outro álbum conceitual, de alguns jeitos representando a visão de Gilmour nos mesmos temas que Waters discutiu em The Wall. O título foi sugerido para Gilmour pelo seu amigo Douglas Adams. Várias das letras foram co-escritas pela namorada de Gilmour na época, Polly Samson, com quem ele se casou logo depois do lançamento do álbum. Apesar de Samson, o álbum conteve a maioria dos músicos que participaram da turnê do Momentary Lapse. Anthony Moore, que co-escreveu letras para várias canções do álbum anterior, divide composição com Wright, que teve sua primeira canção em que teve voz principal desde Dark Side of The Moon, em "Wearing the Inside Out". A escrita de Moore continuou em praticamente todas as canções do álbum solo de Wright, Broken China.
A banda lançou o álbum ao vivo P•U•L•S•E em 1995. Ele chegou ao 1º lugar das paradas dos EUA e contém canções que foram gravadas da turnê do Division Bell no Earls Court em Londres. O concerto do Division Bell é uma mistura do clássico e do Pink Floyd moderno. O concerto em Earls Court marcaria a primeira vez que a banda tocou inteiramente o Dark Side of the Moon em duas décadas. Versões de VHS e Laserdisc do concerto de 20 de Outubro de 1994 também foram lançadas. Uma versão de DVD também foi lançada em 2006 e rapidamente caiu nas paradas. A caixa de cd de 1994 tinha um LED, o que fazia com que um ponto vermelho piscasse (pulsasse) uma vez por segundo, como uma batida de coração. Mais tarde, em 1995, a banda recebeu seu primeiro e único prêmio Grammy para Melhor Performance de Instrumental de Rock com "Marooned".


Trabalho solo e mais: 1995-presente
Em 17 de janeiro de 1996, a banda foi indicada ao Hall da Fama do Rock and Roll pelo líder da banda Smashing Pumpkins, Billy Corgan. Roger Waters não compareceu, ainda sendo contra seus antigos parceiros de banda. No seu discurso de entrada, Gilmour disse "Eu terei que pegar um pouco mais desse para nossos dois integrantes que começaram a tocar em diferentes tons; Roger e Syd…" Apesar de Mason estar presente quando aceitaram o prêmio, ele não se juntou a Gilmour e Wright (e Billy Corgan) para sua performance acústica de "Wish You Were Here".
Uma gravação ao vivo do The Wall foi lançada em 2000, compilada em shows de Londers em 1980-1981, com o nome de Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81. Ele chegou ao 1º lugar nas paradas dos EUA. Em 2001, um disco duplo com as canções mais conhecidas da banda, chamado de Echoes: The Best of Pink Floyd, foi lançado. Gilmour, Mason, Waters e Wright colaboraram na edição, sequenciação e seleção das canções para as faixas. Pequenas controversias seriam que as canções não seguem uma ordem cronológica e apresentam material fora do contexto dos álbuns originais. Algumas das faixas, como "Echoes", "Shine On You Crazy Diamond", "Sheep", "Marooned", e "High Hopes" tiveram seções substancialmentes retiradas. O álbum chegou ao 1º lugar das paradas do Reino Unido e dos EUA.
Em 2003, um relançamento do The Dark Side of the Moon em SACD foi feito, com novo encarte e capa. Um relançamento do Wish You Were Here está sendo trabalhado, mas sem datas de lançamento anunciadas até agora. O livro de Nick Mason "Inside Out: A Personal History of Pink Floyd" foi publicado em 2004 na Europa e em 2005 nos EUA. Mason fez aparições públicas em promoção do livro em algumas cidades da Europa e dos EUA, dando entrevistas e autografando livros. Alguns fãs dizem que ele disse que preferia estar em turnê com a banda do que uma turnê com o livro.
O agente do Pink Floyd de longa data, Steve O'Rourke morreu em 30 de Outubro de 2003. Gilmour, Mason e Wright se reuniram no seu funeral e tocaram "Fat Old Sun" e "The Great Gig in the Sky" na Catedral de Chichester, como homenagem. Dois anos depois, em 2 de Julho de 2005, a banda se reuniu uma vez de novo, em uma performance em Londres no Live 8. Desta vez, no entanto, eles se juntaram com Waters - a primeira vez que todos os quatro integrantes estiveram num palco em 24 anos. A banda tocou um set de quatro canções consistindo em "Speak to Me/Breathe/Breathe (Reprise)", "Money", "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb", com Gilmour e Waters dividindo os vocais. No final da performance Gilmour agradeceu "muito obrigado, boa noite" e começou a sair do palco. Waters chamou ele de volta, e então a banda deu uma abraço coletivo, que se tornou uma das imagens mais famosas do Live 8.
Na semana depois do Live 8, houve um renascimento em interesse sobre o Pink Floyd. De acordo com a cadeia de empresas HMV, as vendas de Echoes: The Best of Pink Floyd aumentaram em 1343%, enquanto Amazon.com constatou aumento das vendas do The Wall em 3600%, Wish You Were Here em 2000%, The Dark Side of the Moon em 1400% e Animals em 1000%. Subsequentemente David Gilmour declarou que ele doaria a sua parte dos lucros desse aumento para caridade, e incentivou todos os outros artistas e gravadoras que se envolveram com o Live 8 a fazerem o mesmo.
Em 16 de Novembro de 2005, o Pink Floyd foi indicado no Hall da Fama da Música do Reino Unido por Pete Townshend. Gilmour e Mason compareceram em pessoa, explicando que Wright estava num hospital devido a uma cirurgia no olho e Waters apareceu numa transmissão via satélite, de Roma.
David Gilmour lançou seu terceiro álbum solo, On an Island, em 6 de Março de 2006 e começou uma turnê de pequenos shows na Europa, Canadá e EUA. Com a banda estavam juntos Richard Wright e, durante muitas vezes para o bis, Nick Mason. Durante a turnê, ele tocou o primeiro single do Pink Floyd, "Arnold Layne". Waters foi convidado para se juntar a ele em Londres, mas os últimos ensaios para sua turnê de 2006 o fizeram recusar. Mason se juntou a Waters em 29 de Junho de 2006 na segunda metade do show em Cork na Irlanda, onde ele tocou todo o Dark Side of the Moon.
Waters e Wright trabalharam ambos em álbuns solo, e existem rumores que Waters estaria fazendo uma versão musical da Broadway de The Wall, com canções extras escritas por ele. Waters também embarcou em sua turnê mundial "The Dark Side of the Moon Live Tour", e o repertório consistiu no Dark Side of the Moon inteiro, junto com algumas seleções de canções do Pink Floyd e algumas poucas canções solo da carreira do Waters. Waters também contribuiu com a canção "Hello (I Love You)", co-escrita por Howard Shore, para o filme de 2007, "A Chave do Universo" (The Last Minzy). Waters teve a sua ópera "Ça Ira" executada no Brasil durante o 12º Festival de Ópera de Manaus, com espectáculos nos dias 15, 22 e 24 de Abril de 2008. Durante o espectáculo do dia 15, Waters esteve presente.
O tecladista e membro fundador do Pink Floyd, Richard Wright, morreu segunda-feira, 15 de Setembro de 2008, aos 65 anos após uma curta batalha contra o câncer, conforme anunciou seu assessor.



Direções futuras
Muitos fãs expressaram esperança de que a apresentação do Live 8 os levariam a uma turnê de reunião, e uma oferta que bateu recordes, de US$250 milhões, foi oferecida para uma turnê mundial, mas a banda deixou claro que não existem planos para tal. Nas semanas depois do show, no entanto, as rixas entre os membros pareciam ter se acertado. Gilmour confirmou que ele e Waters estavam em "termos amigáveis", mas Waters tem apresentado comentários conflitantes desde então, com afirmações que variam de "Eu posso rolar por um show, mas eu não poderia rolar por uma grande turnê" e "Eu espero que nós o façamos de novo". Recentemente suas afirmações indicam seu desejo por tocar de novo, não por uma turnê, mas por um evento similar ao Live 8.
Em 31 de Janeiro de 2006, David Gilmour apresentou uma afirmação em nome do grupo dizendo que não existem planos para uma reunião, indo contra os rumores que a mídia fizera. Gilmour, mais tarde, afirmou numa entrevista ao La Repubblica que ele terminou com o Pink Floyd e espera se focar em seus projetos a solo e sua família. Ele menciona que concordou tocar no Live 8 com Waters para apoiar a causa, para fazer as pazes com Waters e sabendo que ele se arrependeria se não o fizesse. No entanto, ele afirma que o Pink Floyd estaria ansioso para tocar em um concerto "que apoiasse os acordos de paz de Israel e Palestina". Então falando com a Billboard, Gilmour mudou seu sentimento "terminou com Pink Floyd" para "quem sabe". Uma apresentação surpresa, pela formação do Pink Floyd pós-Waters, com David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason ocorreu na última apresentação do Gilmour no Royal Albert Hall em 31 de Maio de 2006, enquanto os 3 tocaram "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb".
2007 foi o aniversário de 40 anos em que o Pink Floyd assinou com a EMI, e o aniversário de 40 anos do lançamento dos 3 primeiros singles "Arnold Layne", "See Emily Play" e "Apples and Oranges" e do seu primeiro álbum The Piper at the Gates of Dawn. Isso foi marcado pelo lançamento de uma edição limitada contendo mixagens estéreo e mono do álbum, além de faixas dos singles e gravações raras.
Em 10 de Maio de 2007, Roger Waters tocou em um concerto em homenagem ao Syd Barrett no Centro Barbican em Londres. Isso foi seguido de uma apresentação surpresa pelo Pink Floyd pós-Waters, com David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason de "Arnold Layne" para um estrondoso aplauso e uma ovação em pé. Mas esperanças de um próximo show de reunião com a formação clássica foi descartada quando Waters não tocou com o grupo. Roger Waters subiu ao palco aos gritos de "Pink Floyd!" ao qual ele respondeu "Mais tarde". Gilmour, Mason e Wright subiram ao palco aos gritos de "Roger Waters!" ao qual Gilmour respondeu educadamente, "Yeah, ele esteve aqui também, agora o resto de nós."
Mais recentemente, Waters se tornou mais e mais aberto para uma reunião com o Pink Floyd. Em uma entrevista em 2007 ele disse "Eu não teria nenhuma problema se o resto deles quisesse se juntar de novo. E isso nem precisaria acontecer para salvar o mundo. Isso poderia acontecer somente por ser divertido. E as pessoas o adorariam."
Em 24 de Setembro de 2007, Gilmour afirmou sobre uma reunião futura do Pink Floyd, de qualquer jeito, sendo ela com Roger Waters ou não; "Eu não sei porque eu gostaria de voltar atrás para aquela coisa antiga. É bastante retrogressivo. Eu quero olhar para frente, e olhando para trás não é minha alegria."
Em 10 de Dezembro (Reino Unido) e 11 de Dezembro (EUA), o Pink Floyd lançou um novo box, Oh, By the Way contendo todos os 14 álbuns de estúdio com suas respectivas atuais remasterizações, encarte original de vinil, mais encarte por Storm Thorgenson.
No dia 21 de Maio de 2008, O Pink Floyd recebeu o prêmio Polar na cidade de Estocolmo,Suécia. O júri declarou que sua decisão foi baseada na importância do Pink Floyd para a evolução da música popular, por uni-la à arte, em sua proposta experimental, e por seu sucesso "capturar e formar reflexões e atitudes para toda uma geração". O júri declarou ainda que a banda "inspirou e marcou o caminho para o desenvolvimento do rock progressivo".



Discografia
The Piper at the Gates of Dawn (1967)
A Saucerful of Secrets (1968)
More (1969)
Ummagumma (1969)
Atom Heart Mother (1970)
Meddle (1971)
Relics (1971)
Obscured by Clouds (1972)
Dark Side of the Moon (1973)
Wish You Were Here (1975)
Animals (1977)
The Wall (1979)
The Final Cut (1983)
A Momentary Lapse of Reason (1987)
The Division Bell (1994)


Fonte: Wikipédia