28.4.12

Eternamente Gonzaguinha



Biografia
Luiz Gonzaga do Nascimento Junior, o Gonzaguinha, nasceu no dia 22 de setembro de 1.945, no Rio de Janeiro. Faleceu há exatos 21 anos.
Gonzaguinha e o pai Gonzagão
Gonzaguinha era filho do cantor e compositor pernambucano Luís Gonzaga (o Gonzagão) e de Odaleia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil.
Compôs a primeira canção "Lembranças da Primavera" aos catorze anos, e em 1961,
com 16 anos foi morar em Cocotá com o pai para estudar. Voltou para o Rio de Janeiro para estudar Economia, pela Universidade Cândido Mendes. Na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carrero, conheceu e se tornou amigo de Ivan Lins. Conheceu também a primeira mulher, Ângela, com quem teve dois filhos: Daniel e Fernanda. Teve depois uma filha com a atriz Sandra Pêra, a atriz Amora Pêra.
Foi nessa convivência na casa do psiquiatra, que fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU), com Aldir Blanc, Ivan Lins, Márcio Proença, Paulo Emílio e César Costa Filho. Tal movimento teve importante papel na música popular do Brasil nos anos 70 e em 1971 resultou no programa na TV Globo Som Livre Exportação.
Característico pela postura de crítica à ditadura, submeteu-se ao DOPS, assim, das 72 canções mostradas, 54 foram censuradas, entre as quais o primeiro sucesso, Comportamento Geral. Neste início de carreira, a apresentação agressiva e pouco agradável aos olhos dos meios de comunicação lhe valeram o apelido de "cantor rancor", com canções ásperas, como Piada infeliz e Erva. Com o começo da abertura política, na segunda metade da década de 1970, começou a modificar o discurso e a compor canções de tom mais aprazível para o público da época, como Começaria tudo outra vez, Explode Coração e Grito de alerta, e também temas de reggae, como O que é o que é' e Nem o pobre nem o rei.
As composições foram gravadas por muitos dos grandes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Simone, Elis Regina, Fagner, e Joanna.
Dentre estas, destaca-se Simone com os grandes sucessos de Sangrando, Mulher, e daí e Começaria tudo outra vez, Da maior liberdade, É, Petúnia Resedá.
Em 1975 dispensou os empresários e se tornou um artista independente, o que fez em 1986, fundar o selo Moleque, pelo qual chegou a gravar dois trabalhos.
Nos últimos doze anos de vida, Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte com a segunda mulher Louise Margarete Martins—Lelete e a filha deles, a caçula Mariana.


Morte
Após uma apresentação em Pato Branco, no Paraná, Gonzaguinha morreu aos 45 anos vítima de um acidente automobilístico às 7h30min do dia 29 de abril de 1991, entre as cidades de Renascença e Marmeleiro, enquanto dirigia o automóvel rumo a Francisco Beltrão, depois ia a Foz do Iguaçu.



Discografia
Parada obrigatória para pensar, (1970), Compacto Simples Forma/Philips
Um abraço terno em você, viu mãe, (1970), Compacto Simples Forma/Philips
Africasiamerica/Por um segundo, (1971), Compacto Simples Forma/Philips
Felícia/Plano sensacional/Sanfona de prata, (1971), Compacto Duplo Forma/Philips
Comportamento geral/Um sorriso nos lábios, (1972), Compacto Simples Odeon
Luiz Gonzaga Jr. (1973), LP/CD Odeon
Luiz Gonzaga Jr. (1974), LP/CD Odeon
Os senhores da terra (antologia 1975), LP Museu da Imagem e do Som
Plano de vôo, (1975), LP/CD EMI/Odeon
Começaria tudo outra vez, (1976),LP/CD EMI/Odeon
Moleque Gonzaguinha (1977), LP/CD EMI/Odeon
Recado, (1978), LP/CD EMI/Odeon
Gonzaguinha da vida, (1979), LP/CD EMI/Odeon
De volta ao começo, (1980), LP/CD EMI/Odeon
A vida do viajante. Com Luiz Gonzaga, (1981), LP/CD EMI/Odeon
Coisa mais maior de grande pessoa, (1981), LP/CD EMI/Odeon
Caminhos do coração, (1982), LP/CD EMI/Odeon
"Alô, alô Brasil", (1983), LP/CD EMI/Odeon
Grávido, (1984), LP/CD EMI/Odeon;
Olho de lince/trabalho de parto, (1985), LP/CD EMI/Odeon
Geral, (1987), LP EMI/Odeon
Corações marginais, (1988), LP Moleque/WEA
Luisinho de Gonzaga, (1990), LP WEA/Moleque
Cavaleiro solitário, (1993), LP/CD Som Livre
Luiz Gonzaga Jr. - Gonzaguinha, (2001), CD Universal Music

Coletâneas
Gonzagão e Gonzaguinha-Juntos. Gonzaguinha e Luiz Gonzaga, (1991), CD BMG/Ariola;
A viagem de Gonzagão e Gonzaguinha. Gonzaguinha e Luiz Gonzaga, (1994), CD EMI/Odeon;
O talento de Gonzaguinha, (1994), CD EMI/Odeon;
Perfil, (2004), CD EMI/Som Livre;

Homenagem
Simples Saudade, (2001) CD BMG Brasil.


Fonte: Wikipédia  







"O QUE É, O QUE É"
"SANGRANDO"

"JORNAL NACIONAL: A MORTE DE GONZAGUINHA"



Sofrimento Diário




Hoje, um dia normal e simples como todos; feliz para muitos, trágico para outros. Vejo pessoas dizendo: “Bom dia, como vai?”...
Caminhando sob o sol que ilumina a terra e que mal acaba de nascer, vejo coisas impressionantes, coisas que tiram o meu “Bom dia”...meu sorriso é preenchido por uma lágrima.
Muita gente nem dá importância, mas o mundo parece estar prestes a se acabar.
No meu caminho, um simples percurso, vejo diante de mim a minha liberdade presa e massacrada... Sinto como se estivesse no inferno.

Vejo um mendigo ajoelhado diante de um doutor que o exclui de um mundo já cheio de barreiras e fronteiras; 
um cachorro vira-lata lambendo o sangue de mais um que se foi arrastado pela violência urbana e que só deixou no asfalto o seu sangue; 
um velho que traz consigo o peso do cansaço e da revolta por ter trabalhado a vida toda, para hoje estar carregando em seu carrinho de madeira o papelão que vai significar o seu sustento; 
um hospital cheio de filas, mas vazio de atendimento...

Um dia minha mãe me falou que a minha vida seria basicamente crescer, trabalhar, construir uma família e viver em paz, mas, hoje vejo o quanto ela estava enganada, pois minha vida foi construída com tijolos de revolta e sofrimento. Afinal, como poderei viver feliz sabendo que diariamente famílias estão sendo jogadas, abandonadas e pisoteadas pelo sistema?
Será que devo agir como quase todos e simplesmente ignorar?
Não!
Ignorar não é a saída, afinal como posso ignorar as coisas que fazem parte do meu caminho?
Mesmo sabendo que meu caminho é curto, não desisto, tenho que lutar...
 Meu caminho é a minha luta.

E você, enxergue o que está te enxergando hoje!
Não ignore o que está acontecendo e o que vai acontecer se você continuar ignorando!
Busque a solução que está estampada em você mesmo!
Agilize-se e procure despertar o seu idealismo.
Você é a arma!
Ignorar não é a solução!



Renato Curse                junho de 1.994


(Conto extraído do Zine Agonia Revoltante! # 03, de julho de 1.994)




25.4.12

Tenho medo



Você quer me levar contigo,
mas não sei o que pode me acontecer,

ninguém pode saber.


Será que o outro lado da meia-noite
é escuro como todos pensam?

Ninguém pode saber!





Tenho medo.

Tenho medo de aceitar o que está na minha frente.

Tenho medo de enxergar um futuro no além.

Tenho medo de entender a minha derrota.


Tenho medo,
tenho medo de morrer!



Renato Curse              29 de julho de 1.992

______________________________________________



Achei esses escritos há algum tempo atrás, num velho caderno, junto com outros pensamentos. Lembrei-me de um período meio que obscuro em minha vida.  Uma fase regada a muito thrash metal, hardcore e punkrock.  Sempre tive uma estranha fixação pelo tema 'morte', mas nessa época essa fixação era muito mais intensa, digamos que até um pouco excessiva.  

Chegava a aflorar MEDO, medo da morte.
Não durou muito...
Apesar dos pensamentos mórbidos, sinto muita saudade dessa época, 
dos meus 14, 15 anos de idade...
Felizmente ainda consigo sentir um pouco daquela imaturidade em mim.
Certamente jamais irei perdê-la, 
ainda bem!

* A foto acima foi tirada em junho de 1991, quando eu tinha apenas 14 anos de idade. 
Nessa época eu curtia muito Guns N' Roses e várias bandas grunge, hard rock, death, thrash metal, hardcore e punkrock. 
Não via a hora de atingir a maioridade.
Hoje vejo o quanto eu era feliz e não sabia.

Ah, as tatuagens eram adesivas. rsrsrsrssrs

Abaixo, fotos de onde um dia certamente entrarei para nunca mais sair.


15 de novembro de 1.997

30 de maio de 1.998


21.4.12

Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira



Há mais de 2 séculos atrás, Tiradentes, o principal ativista do movimento que ficou conhecido como  Inconfidência Mineira, era executado em plena praça pública. 
O motivo? Pesava-lhe a acusação de idealizar um levante contra as imposições da Coroa Portuguesa e de incitar o povo à adesão de tal movimento.
Joaquim José da Silva Xavier nasceu no dia 12 de novembro de 1.748, na cidade de Pombal, nas Minas Gerais.  Pode-se dizer que não teve uma infância das melhores, já que aos 7 anos de idade, em 1.755, perdeu a mãe e dois anos depois o pai, ficando sob tutela dos parentes mais próximos.  Aprendeu a ler e a escrever com um de seus irmãos.  Naqueles longínquos (e árduos) tempos do domínio português, o futuro conjurador mineiro, vendo-se obrigado a colaborar para o seu próprio sustento e o dos seus irmãos, saiu ainda muito jovem em busca de trabalho, tendo exercido como primeira profissão a de vendedor ambulante. Mais tarde trabalhou também como tropeiro e minerador. Com o padrinho, que era cirurgião, aprendeu (e praticou) lições básicas de medicina e odontologia, o que muito influenciou para que ele inserisse na profissão de dentista – origem do apelido Tiradentes.
Descontente com o baixo salário, resolveu partir para a profissão de militar, ingressando no Regimento de Dragões do Estado de Minas Gerais, onde foi sendo preterido até ocupar a posição de Alferes (o que hoje corresponde a 2.o tenente).
Naquela época, por ser a mais rica capitania brasileira, Minas Gerais deveria render à Coroa Portuguesa 100 arrobas de ouro por ano (equivalente a 1.500 quilos). Era o chamado imposto ‘quinto’ (pago com ouro), instaurado nas Minas Gerais em 1.750 e que em 1.765, com a falta de 13 arrobas, gerou a “Derrama”, medida em que todos os habitantes mineiros tornaram-se devedores à Coroa Portuguesa.
E para agravar a situação, em 1.785, o governo português ordenou o fechamento de todas as oficinas de manufatura (metalúrgica e têxtil) e ouriversarias, com o propósito de coibir qualquer progresso econômico do Brasil Colônia.
Em julho de 1.788, com o acúmulo de 596 arrobas nas Minas Gerais, chegou o novo governador, Luís Antonio Furtado de Mendonça (o Visconde de Barbacema), trazendo uma ordem expressa para a “Derrama”, a imediata cobrança dos impostos atrasados. Com a ameaça de terem suas casas invadidas e todos os objetos de valor apreendidos pelas tropas do governo, toda a população de Minas Gerais ficou alarmada.
Foi aí que Tiradentes resolveu entrar para a história. No mês seguinte, em agosto de 1.788, ele viajou para o Rio de Janeiro à procura de José Álvares Maciel, um estudante que recentemente havia se formado em Filosofia e História natural, em Coimbra (Portugal). Inspirado pelas ideias liberalistas que absorveu na Europa, Maciel deixou Tiradentes à par de tudo o que estava acontecendo no mundo político europeu, inclusive sobre os ideais da Revolução Francesa.
À partir desse encontro, surgiu a ideia de iniciar um levante que trouxesse a tão sonhada independência do Brasil. Depois de outros encontros na casa de Maciel, Tiradentes regressou às Minas Gerais propagando suas ideias revolucionárias, buscando a adesão de pessoas influentes em Vila Rica (hoje Ouro Preto) e arredores.
Além de Tiradentes e Maciel, outros importantes adeptos da Inconfidência Mineira foram: Inácio José de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa, Francisco Freire de Andrada, Tomás Antonio Gonzaga, Joaquim José Maia, Francisco Antônio de Oliveira, José Lopes de Oliveira, Domingos Vidal Barbosa, Salvador Amaral Gurgel, Luís Vieira da Silva e os padres Manoel Rodrigues da Costa, José de Oliveira Rollim e Carlos Toledo.
Durante as reuniões, ficou decidido que o local do levante seria nas Minas Gerais, no dia em que fosse cobrado a “Derrama”. Como bandeira, os inconfidentes adotaram o lema “Libertas Qua e Será Tamen” (de Virgílio, que significa “Liberdade, ainda que tardia”) e o triângulo da Santíssima Trindade (sugerido pelo próprio Tiradentes).
Dentre os principais planos da reforma revolucionária dos inconfidentes estavam: a Proclamação da República (com capital em São João Del Rey), a volta da manufatura, a construção de uma universidade em Vila Rica, a doação de terras para expandir a produção agrícola, entre outros.
Porém, ao tomar conhecimento do levante, através do sargento-mor Luis Vaz de Toledo Piza, irmão do padre Rollim, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, juntamente com Brito Malheiro e Correia Pamplona, todos devedores de considerável soma ao tesouro real, delataram os inconfidentes em 5 de março de 1.789, em troca do perdão de suas dívidas.
Tiradentes, que na ocasião encontrava-se no Rio de Janeiro, ainda tentou fugir, mas foi preso no dia 10 de maio de 1.789.
Depois disso, instaurou-se um processo para identificar e prender todos os conjuradores, que ficou conhecido como “Devassa” e durou 3 anos. Em 18 de abril de 1.792, 11 inconfidentes foram condenados à forca, mas somente Tiradentes, por assumir toda a responsabilidade pela liderança do movimento, foi enforcado em praça pública no Rio de Janeiro, no dia 21 de abril de 1.792, aos 43 anos.
Em seguida, seu corpo foi levado para Vila Rica, esquartejado e seus pedaços foram expostos nas vias públicas, na intenção de intimidar o aparecimento de mais insurreições.


Texto: Renato Curse      -        abril de 2.001


(Este texto foi publicado na edição # 24 do Informativo Mix Cultural, lançado em 21 de abril de 2.001)





20.4.12

As Guerras




Para os que sobreviveram, uma terrível lembrança, uma grande dor.
Dos que morreram, resta o sofrimento deixado para os seus familiares e amigos.

Guerra: uma batalha travada entre terras, onde o único objetivo é a vitória dos poderosos.

As guerras já levaram milhões de vidas e ainda continuam arrastando seres humanos inocentes para a morte.

O fogo impera nas guerras, a fumaça sufoca o pulmão do mundo e a natureza paga o que não comprou.
Homens morrendo, mulheres chorando, crianças perdidas dos pais sem ao menos compreender o que está acontecendo, animais mortos por todos os lados, rios poluídos...

As guerras fotografam um retrato visível a todos, um retrato trágico. As guerras gravam gritos de pânico e gemidos num mundo onde só existe caos e dor. Um mundo onde a única lei é matar ou morrer.

Milhões e milhões de dólares são gastos para o armamento expedido para as guerras, enquanto isso milhares de pessoas morrem de fome a cada dia no mundo. Isso é justo?

A guerra significa falta de responsabilidade com a vida de pessoas inocentes!



Renato Curse             setembro de 1.994




19.4.12

Manuel Bandeira, o São João Batista do Modernismo



Na poesia “Preparação para a morte”, Manuel Bandeira, o “São João Batista do Modernismo” (segundo o poeta Mário de Andrade) provavelmente teria exposto sua mais íntima visão sobre este que foi um tema constante em sua obra, a morte: “A vida é um milagre / Cada flor, / com sua forma, sua cor, seu aroma, / cada flor é um milagre. / Cada pássaro, / com sua plumagem, seu vôo, seu canto, / cada pássaro é um milagre. / O tempo, infinito, / o tempo é um milagre. / A memória é um milagre. / A consciência é um milagre. / Tudo é milagre. / Tudo, menos a morte. / Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.”
Na verdade Manuel Bandeira tinha uma forte justificativa para considerar a vida, o tempo, a memória e a consciência como milagres e a morte como o fim de todos eles, já que durante quase toda sua vida viveu meio que paranoicamente perseguido pela ‘indesejada das gentes’, julgando que a qualquer momento ela, a morte, viesse acometê-lo.
Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Souza Bandeira e de Francelina Costa Ribeiro, Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no dia 19 de abril de 1.886, em Recife, Pernambuco.
“Sou bem nascido. Menino, fui como os demais, feliz.”; essa frase – da epígrafe de “A Cinza das Horas” – dá uma noção de que Manuel Bandeira teria tido uma infância feliz, e teve. Dentre as lembranças, as viagens com a família a Petrópolis, Santos e sul do país, ficaram gravadas em sua memória.
De 1.892 a 1.896 residiu fixamente na casa do avô, lá mesmo em Recife, até seus pais resolverem se mudar para o Rio de Janeiro, onde ele residiria por mais 6 anos, tendo estudado no Colégio Nacional (hoje Colégio Pedro II). Depois, aos 17 anos, mudou-se para São Paulo onde se matriculou na Escola Politécnica com o sonho de ser arquiteto.  Porém, nas férias de maio de 1.904, aos 18 anos, um inesperado fato viria abalar todas as expectativas e projetos futuros de Manuel Bandeira. Após regressar de um passeio a cavalo, numa fazenda em Itaipava, no Rio de Janeiro, ele é despertado no meio da noite por uma crise de hemoptise; o lençol manchado de sangue denunciava a gravidade da crise.
O diagnóstico médico mudaria para sempre os hábitos e as perspectivas do jovem Manuel Bandeira: era tuberculose, uma doença altamente mortal no início do século XX.   Foi obrigado a desistir dos estudos e a abandonar a casa dos pais à procura de climas que pudessem facilitar o seu tratamento, tais como os das  cidades de Campanha (Minas Gerais), Teresópolis, Itaipava (Rio de Janeiro), Maranguape, Uruquê e Quixeramobim (Ceará). E foi nesse período que Manuel Bandeira intensificou um passatempo da adolescência: escrever poesias, às quais enviava aos pais e tios para serem publicadas na revista “A Careta”.
A partir dos 26 anos começou a fazer uso dos versos livres e, aos 27 anos, em 1.913 seu pai o mandou para o sanatório de Cladavel, na Suíça, onde ele conheceu Paul-Eugène Grindel – que mais tarde se tornaria o popular poeta Paul Éluard – com o qual aprimorou sua técnica de versar.
Em 1.914 retornou ao Brasil, avisado por seu médico de que tinha “lesões teoricamente incompatíveis com a vida mas que os sintomas não correspondiam às lesões e que poderia viver, quem sabe, 5, 10, 15 anos mais.”.
Novamente fixado na casa dos pais ele escreveu em 1.917 seu primeiro livro: “A Cinza das Horas” e nessa época ele atravessou um período muito triste em sua vida (entre os anos de 1.916 a 1.922 faleceram sua mãe, sua irmã Maria Cândida, seu pai e seu irmão Antonio). A melancolia foi uma de suas maiores inspiradoras, responsável por muitos de seus sucessos literários.
Em 1.919, adentrando na Era do Modernismo, publicou “Carnaval” e em 1.922, na Semana de Arte Moderna, mesmo não tendo comparecido, incluiu a poesia “Os Sapos”, aplaudida por alguns, vaiada por outros.
Com a morte dos entes queridos mais próximos, naquele mesmo ano de 1.922, Manuel Bandeira deixou a antiga casa para morar em Santa Teresa, também no Rio.
Em 1.924 ele publicou “Poesias” e, em 1.930 “Libertinagem”, uma de suas mais repercutidas obras, onde estão “Pneumotórax”, “O Cacto”, “Profundamente”, “Vou-me embora pra Pasárgada”, entre outras (depois vieram os livros “Estrela da Manhã” de 1.936 e “Poesias Escolhidas” de 1.937).
Em 1.938 começou a lecionar Literatura no Colégio Pedro II e, em 1.940 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
A partir de 1.943 passou a dar aulas na Faculdade Nacional de Filosofia e nos anos seguintes publicou “Mafuá do Malungo” (1.948), “Opus 10” (1.952), “Estrela da Tarde” (1.960), “A Morte” (1.965), “Meus Poemas Preferidos” (1.966), dentre outros.

Manuel Bandeira, o homem que viveu quase toda sua vida sob cuidados especiais, renunciando a quase tudo, morreu, não de tuberculose como ele pensava, mas de parada cardíaca, aos 82 anos de idade, no dia 13 de outubro de 1.968, no Rio de Janeiro.


Texto: Renato Curse             abril de 2.001

(Esse texto foi publicado na edição # 22 do Informativo Mix Cultural, de 07 de abril de 2.001)




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15.4.12

Joey Ramone, 11 anos de sua morte



Ele não foi apenas líder de uma banda mundialmente conhecida, foi também uma das pessoas mais influentes no surgimento de uma nova postura que o rock assumiu na década de 70: o punk-rock.
Jeffrey Ross Hyman (nome verdadeiro de Joey Ramone), nasceu em Forrest Hills, Queens (EUA), no dia 19 de maio de 1.952. Cresceu num bairro de classe média e logo garoto, aos 8 anos, ao participar de uma promoção de um cereal, ele ganhou uma bateria de brinquedo, o que o levou a gostar de rock.
Mais tarde, aos 13 anos, já sonhando em ser baterista, Joey ganhou da avó uma bateria de verdade. Nessa época, o rock passava por grandes transformações; era o tempo dos longos solos de guitarra e da mega-parafernalha musical nos palcos. Mas não era isso que atraía Joey pois ele preferia o som das bandas clássicas (como os Beatles) e queria ser baterista de uma banda oposta aos conceitos ‘rockísticos’ da época, uma banda alternativa.
Na escola de Forrest Hills ele conheceu John Cummings, o Johnny, um cara que também repudiava as mega-produções do rock e com o qual tinha grande afinidade ideológica. No início dos anos 70, Joey conseguiu realizar o sonho de se tornar baterista fundando a Sniper; mas tinha um porém: ele mal sabia tocar bateria. Seu amigo Johnny era guitarrista de outra banda, a Tangerine Puppets e, certo dia, em meados de 1.974, Joey propôs a ele que ensaiassem algo juntos.  Johnny, colega de trabalho de Douglas Colvin, o Dee Dee, convidou-o para tocar contrabaixo na banda e apresentou-o a Joey, que logo de cara simpatizou-se com o rapaz.
Com Joey na bateria, Johnny na guitarra e Dee Dee no baixo e vocal, a banda (ainda sem um nome definido) fez o seu primeiro ensaio em março de 1.974 e, em 2 horas compuseram juntos a primeira música: I Don’t Wanna Get Involved With You.
Como mal sabiam tocar, os 3 rapazes, inspirados por bandas alternativas como Stooges e New York Dolls, definiam o som da banda em apenas 3 acordes, com músicas simples e rápidas.
Quanto ao nome, depois de discutirem vários (entre eles “Spice!”), o trio acabou optando por Ramones por duas razões: Ramon foi o sobrenome usado por Paul McCartney (dos Beatles) no início da carreira e Phill Ramone era um dos produtores favoritos de Johnny; o nome era uma espécie de homenagem aos dois Ficou combinado que os três e quem viesse a integrar a banda, passariam a usar o sobrenome Ramone.
No mesmo estúdio em ensaiavam, os Ramones programaram o primeiro show para 30 de março de 1.974 (um sábado) e convidaram todos os amigos de Forrest Hills – na divulgação eles usaram cartazes feitos à mão. Trinta pessoas pagaram 3 dólares cada para ver o show, que por ter sido um caos, acabou não agradando ninguém. Foi neste show que Dee Dee deu início ao clássico “one, two, three, four”, típico no começo das músicas.
Tommy Erdelyi, um amigo do trio que trabalhava no estúdio onde ensaiavam e que havia tocado com Johnny no Tangerine Puppets, tornou-se uma espécie de empresário deles e, mais tarde, mesmo sem nunca ter tocado bateria antes, acabou assumindo o lugar de Joey que foi para o vocal, permanecendo Dee Dee no baixo e Johnny na guitarra; era julho de 1.974.
O segundo show, já com a nova formação, aconteceu numa sexta-feira, 16 de agosto de 1.974, no Clube CBGB, em Manhattan, onde os Ramones voltariam muitas outra vezes.
Consequentemente, o som da banda começou a atrair muitos admiradores no CBGB. Depois de assinar contrato com o selo independente Sire, a banda lançou o primeiro disco (intitulado apenas “Ramones”) em maio de 1.976, contendo 14 músicas em menos de meia hora. O disco não foi bem recebido na América, porém na Inglaterra, onde os Ramones iniciaram uma excursão em julho de 76, o disco serviu de influência para muitas bandas punk-rockers que estavam começando.
Em 1.977 lançaram “Leave Home” e “Rocket to Russia”, verdadeiros clássicos do punk-rock e, no final do ano excursionaram novamente pela Europa, tendo gravado no rèveillon, o álbum “It’s Alive (ao vivo), lançado tempo depois.
Em maio de 1.978, o baterista Tommy resolveu sair da banda, dando lugar à Marc Bell, o Marcky Ramone e, em setembro foi lançado “Road to Ruin”, quarto disco da banda.
Em 1.979 participaram da trilha sonora e do filme Rock n’ roll High School, de Allan Arkush e gravaram “End of the Century”, o álbum mais vendido dos Ramones.
Em 1.981 gravaram “Pleasant Dreams” e em 1.983 “Subterranean Jungle” – neste ano saiu o baterista Marcky e entrou Richie Ramone. Posteriormente lançaram “Too Tough to Die” em 1.984, “Animal Boy” em 1.986 e, em 1.987, mesmo ano do lançamento de “Haftway to Sanity”, o baterista Richie deixou a banda (sem motivos). Em seu lugar entrou Clem Burke, o Elvis Ramone, que por não agradar aos demais Ramones, acabou saindo após a segunda apresentação; foi quando Marcky Ramone retornou à banda.
Em agosto de 1.989, ano em que foi lançado “Brain Drain” (da “Pet Sematary”), Christopher Joseph Ward, o C.J., entrou na banda substituindo Dee Dee no contrabaixo.
Nos anos 90 eles lançaram “All The Stuff – And More” (1.990), “All The Stuff – And More 2” e, ao vivo, gravado na Espanha, “Loco Live” (1.991); “Mondo Bizarro” (1.992) e o disco de covers “Acid Eaters” (1.993).
Em 1.994 Joey Ramone descobriu que tinha câncer e no início de 1.995 a banda anunciou que iria se separar (numa boa, sem brigas) – neste ano começaram a gravar o álbum de despedida “Adios Amigos”, lançado em 1.996, ocasião em que estiveram pela quarta vez no Brasil (eles já tinham vindo em 1.987, 1.991 e 1.994).
Depois da amigável separação, os quatro Ramones passaram a se dedicar em projetos pessoais.
Joey Ramone, após 7 anos de luta contra o câncer, morreu no dia 15 de abril de 2.001, no hospital onde estava internado há vários dias, em Nova Iorque, cercado pela família e amigos.  Segundo sua mãe, Joey morreu dormindo ao som da canção “In a Little While”, da banda U2, à qual tocava no quarto do hospital.


Texto: Renato Curse                  maio de 2.001


(Esse texto foi publicado na edição # 28 do Informativo Mix Cultural, de 19 de maio de 2.001, 
com o título de “A história de Joey Ramone e os Ramones”)















13.4.12

Titanic: 100 anos do naufrágio




Majestoso como os Titãs da mitologia grega. Insubmergível diziam os jornais da época. Assim foi o lançamento do Titanic, em 10 de abril de 1912, quando o navio da companhia White Star Line realizou sua viagem inaugural de Southampton (Inglaterra) rumo a Nova Iorque. A previsão para alcançar a cidade americana era uma semana, no dia 17. Antes de rumar definitivamente para o outro lado do Atlântico, o Titanic aportou em Cherbourg, na França, e Queenstown, Irlanda, onde ainda embarcaram passageiros.

Considerado o símbolo da tecnologia do século XX, o Titanic batia todos os outros grandes barcos dos anos 20 com seu luxo e estrutura.

 Medindo 270 metros de comprimento, o navio tinha, entre outras coisas, campos de squash, piscina, sala escura para fotógrafos e elevadores. O famoso restaurante, chamado de 'Café Parisiense', era decorado ao estilo jacobino, com colunas douradas e objetos de prata finamente fabricados. O barco estava equipado, também, com o sistema Marconi, a mais nova forma de comunicação sem-fios da época.

O navio zarpou com 2.227 pessoas a bordo entre homens, mulheres e crianças, sob o comando do experiente capitão Edward J. Smith, que realizaria sua última viagem antes de se reformar. Os passageiros da terceira classe eram, na maioria, imigrantes que iam para a América em busca de uma chance de trabalho ou fugindo de um passado difícil em seus países.

Após a última parada em Queenstown, o navio seguiu viagem pelos mares do Atlântico. Para passar o tempo, alguns passageiros se divertiam dançando ao som da banda, outros faziam apostas sobre a data de chegada a Nova Iorque.


A viagem transcorreu calma durante os quatro dias. Mesmo recebendo avisos de outros navios sobre a existência de icebergs pelo caminho, o capitão Smith não se importou e dizia que o navio era grande demais para ser abatido por um iceberg. Ao contrário, a embarcação continuou navegando em sua velocidade máxima (40km/h) porque, além de ser chamado o mais luxuoso e indestrutível navio existente, os construtores queriam também que ele fosse considerado o mais rápido. Para tanto, deveria alcançar Nova Iorque em menos de uma semana, tempo previsto para a chegada.

Na noite do dia 14 de abril, o comandante Smith já tinha ido dormir e pedira ao 1º oficial, William Murdoch, que assumisse o seu posto e o avisasse de qualquer imprevisto que ocorresse. Por volta de 23h40, o sino do cesto dos vigias tocou três vezes, indicando que algo estava no caminho do Titanic. Murdoch conseguiu ver que surgia à frente do navio uma massa escura de gelo. A ordem foi que se virasse ao máximo a estibordo e se fizesse marcha à ré a toda potência. Entretanto, a medida não foi suficiente para evitar o encontro entre o barco e o iceberg. Parte da massa de gelo arranhou o casco da embarcação sob a linha de água, abrindo um rasgo com mais de 90 metros em seis compartimentos estaques da proa, que foram invadidos pela água.


Um dos construtores do Titanic, Thomas Andrews, que estava à bordo, calculou os estragos causados pelo choque e constatou que o navio tinha duas horas antes de afundar totalmente. Com a inclinação do navio, todos os compartimentos foram tomados pela água, tornando o naufrágio uma certeza matemática e inevitável. O capitão Smith ordenou aos radiotelegrafistas o envio de mensagens de socorro e iniciou os preparativos para que os passageiros abandonassem o navio nos barcos de salvamento. Entretanto, haviam apenas 20 botes que, em sua capacidade máxima, poderiam levar 1.178 pessoas. O número de barcos não foi maior porque os proprietários julgavam que colocar mais deles comprometeria a beleza e o conforto do Titanic.

O desespero de tentar se salvar fez com que os primeiros botes saíssem sem a sua capacidade total. Ao final, apenas 705 passageiros conseguiram se salvar. Às 2h20 da manhã do dia 15 de abril, o Titanic submergiu completamente. Os sobreviventes foram resgatados pelo navio Carpathia, da Cunard (que se transformaria na maior rival da White Star Line e a absorveria, tempos depois).


Como um gigante dos mares, construído com a mais alta tecnologia da época, pôde sucumbir nas águas do Atlântico Norte?
Historiadores tentaram responder a essa pergunta, recuperando os acontecimentos que levaram à tragédia do Titanic. Há diversas justificativas para a catástrofe como as condições desfavoráveis do tempo e os defeitos no design e na construção do navio.

A visibilidade dos icebergs localizados no Atlântico Norte foi prejudicada pelo rigoroso frio do inverno de 1912 e pela calmaria dos mares polares. Além disso, a falha de nenhum vigia possuir binóculos a bordo, a capacidade de a água passar facilmente de um compartimento ao outro - devido à baixa altura das divisões entre eles - e a fragilidade do aço utilizado na construção da estrutura do barco - que era o de mais baixa qualidade da época - facilitaram o choque com o iceberg.

Outros motivos salientados pelos historiadores que facilitaram a ocorrência da tragédia foram o despreparo da tripulação em situações de risco, a falta de testes do navio em sua velocidade máxima (40 km/h) e o fato de os operadores do rádio de transmissão ignorarem os avisos de outros barcos sobre a existência de geleiras no caminho.


A descoberta dos destroços

Em 1985, o explorador Robert Ballard encontrou o lugar do naufrágio do Titanic no fundo do Oceano Atlântico. O que restou do navio está localizado a mais de 3,5 quilômetros de profundidade, abaixo da ilha canadense de Newfoundland.

O Titanic tem se deteriorado com o passar dos anos - a maior parte da madeira, por exemplo, foi comida por moluscos. Entretanto, para o explorador marinho, as ações do homem têm acelerado ainda mais esse processo. As constantes viagens ao destroços do navio, com equipamentos e plataformas pesados, danificam sua estrutura. Além dos 'caçadores de troféus' que, desde a descoberta do local exato do naufrágio, já retiraram cerca de 6 mil objetos do fundo do mar.

Em 2001, no intuito de diminuir o impacto da ação humana na destruição do Titanic, a agência do governo norte-americano responsável pelo estudo dos oceanos aconselhou que as atividades de visitação e busca na área interagissem o mínimo possível com o navio e os artefatos que afundaram com ele.




OS GRANDIOSOS NÚMEROS DO TITANIC

  O Titanic tinha 270 metros de comprimento e pesava 46.329 toneladas
  O navio foi construído em quase 3 anos e custou aproximadamente 450 milhões de dólares

  2.227 foi o número de passageiros à bordo na viagem inaugural do navio

  A banda que tocou até o momento final do naufrágio era composta por 8 músicos

  Para a alimentação de todos os passageiros foram levados, entre outros alimentos, cerca de 40.000 toneladas de batatas, 3 toneladas de manteiga, 20.000 garrafas de cerveja e 15.000 garrafas de água mineral

  No dia da colisão, o comandante recebeu 6 mensagens de aviso de iceberg de outros navios

  O Titanic levava 3.560 coletes salva-vidas individuais e apenas 20 barcos

  A parte da frente do navio levou 6 minutos para ir do nível da água ao fundo do mar. A de trás submergiu em 12 minutos

  1.522 pessoas morreram na catástrofe



A VIAGEM

10 de Abril, Quarta-feira

7:30
        O Capitão Edward J. Smith sobe a bordo.
        O oficial chefe Wilde entrega o relatório de navegação.

8:00
        Toda a tripulação é passada em revista. É realizado um exercício com os botes salva-vidas. Infelizmente isto é feito somente em dois botes, o n.o 11 e 15 de estibordo.

9:30-11:00
        Barcos trazendo passageiros da segunda e terceira classe chegam e o passageiros começam a embarcar.

11:30
 Chegam os barcos com os passageiros da primeira classe provenientes de Londres.

12:00
        Logo após o almoço, a poderosas sirenes do Titanic são acionadas, avisando de sua eminente partida. Todos que não fazem parte da tripulação nem dos passageiros começam a desembarcar. Muitos passageiros nesta fatídica viagem deveriam estar a bordo do Oceanic e do Adriatic, mas foram transferidos para o Titanic devido a greve dos carvoeiros.

12:15
        As âncoras são levantadas e o grande navio parte das docas com a ajuda de rebocadores. Destino Cherbourg, França, seguindo então para Queenstown, Irlanda, de onde prosseguiria para Nova Iorque, com data de chegada prevista para a quarta-feira da semana seguinte, 17 de Abril, pela manhã.
        Durante a passagem corrente a baixo pelo rio Test, já sem ajuda dos rebocadores, o deslocamento de água casado pelo Titanic rompe as seis cordas de amarração do New York fazendo sua popa ir em direção do Titanic. Uma rápida ação de sua tripulação impede a colisão por apenas 1,2 m. Isto provoca um atraso de uma hora e junto com o incidente entre o Olympic e o Hawke indica a falta de familiaridade com navios deste tamanho por aqueles que o controlam.

13:00
        O Titanic reinicia sua viagem em direção a Cherbourg

16:00
       Barcos provenientes de Paris chegam a Cherbourg, onde é anunciado o atraso na chegada do navio.

17:30
        Finalmente o Titanic chega a Cherbourg, França, a apenas 38 km de distância através do Canal da Mancha. Os passageiros começam a ser embarcados nos barcos que os levarão ao Titanic.

18:30
        O Titanic ancora no porto de Cherbourg com todas as luzes acesas.
        22 passageiros embarcados em Southampton terminam aqui sua viagem. Alguma carga também é desembarcada.

20:00
        274 passageiros de Cherbourg já estão a bordo, e os barcos retornam para o porto.

20:30
        Titanic levanta âncora e parte para Queenstown, Irlanda, através do Canal da Mancha e ao redor da costa sul da Inglaterra, para pegar seus últimos passageiros.

11 de Abril, Quinta-feira de manhã 
        O Capitão Smith faz alguns testes de manobrabilidade.

11:30
        O Titanic baixa âncoras no porto de Queestown, a aproximadamente 3,2 km da terra firme.
        113 passageiro da terceira classe e 7 da segunda embarcam junto com 13485 sacos de correspondência.
        7 passageiros desembarcam levando para terra firme as últimas imagens conhecidas do interior do navio.

14:00
     Finalmente as âncoras são levantadas e o Titanic parte.
   A rota escolhida, entre Fasnet Light, ao sudeste da Irlanda, até Nantucket Shoals, na costa leste   norte-americana, era tida com a mais segura naquela época do ano.

11 a 12 de Abril 
        O Titanic percorre 778.75 km com tempo claro e limpo.
        Para passar o tempo alguns passageiros se divertiam dançando a o som da melhor banda do Atlântico, outros faziam apostas sobre a data de chegada. Ismay havia dito que seria na quarta-feira pela manhã, mas alguns oficiais diziam que terça-feira a noite seria mais provável.

12 a 13 de Abril 
(Última foto do Titanic antes do naufrágio)
        O Titanic percorre 835 km com tempo claro e limpo, mas avisos sobre gelo, comuns nesta época, são recebidos.
        Os passageiros reportam o mínimo de barulho ou vibrações no navio.

13 de Abril, 10:30 
       Aviso de grandes blocos de gelo é enviado pelo Rappahannock que foi danificado ao atravessar um campo de gelo.




A colisão

A bordo do Titanic, J. Bruce Ismay, Administrador e Diretor da White Star Line, urgiu fortemente para que o capitão aumentasse a velocidade do navio apesar do fato que era prática padrão manter as máquinas em marcha lenta, afinal das contas o navio era novo. Ismay estava ansioso em quebrar o recorde do Olympic afim de armazenar publicidade adicional. No sábado, 13 de abril, com 24 das 29 caldeiras acesas, Ismay foi escutado em conversação com o capitão onde falou sobre melhorar o desempenho do navio. Ismay declarou enfaticamente, "Você vê eles estão trancando a pressão. Tudo vai bem. As caldeiras estão trabalhando bem. Nós faremos melhor. Corra amanhã".

Domingo, 14 de Abril de 1912

9:00
        A primeira mensagem relatando a presença de gelo é recebida pelo Titanic proveniente do S.S. Caronia notificando a presença de campos de gelo em 42o N, de 49o a 51o W, avistados em 12 de Abril.
        Alguns passageiros notam blocos de gelo passando pelo navio ao longo da manhã.


10:30
        A missa dominical é realizada no salão de jantar da primeira classe.

11:40
        O vapor holandês Noordam relata a presença de muito gelo aproximadamente na mesma posição da relatada pelo Caronia.

12:00
        Na asa da ponte de navegação é medida a posição do navio com o sextante, e registrada a distância percorrida "546 milhas (878,6 km) desde o meio dia de sábado".

13:42
        S.S. Baltic envia a terceira mensagem recebida pelo Titanic avisando sobre icebergs e grande quantidade de gelo em 41o51' N e 49o52'W, 402.3 km à frente do Titanic.
        Cap. Smith passa a mensagem para Ismay, o qual a guarda. Posteriormente ele a mostraria para alguns passageiros.

13:45
        S.S. Amerika, da Alemanha, e o navio mais próximo de Cape Race, Newfoundland, envia a quarta mensagem recebida. Talvez a mensagem mais importante recebida, ela relatava a presença de dois grandes icebergs em 41o27'W e 50o8'W, observados no mesmo dia. Esta mensagem nunca chegou a ponte de comando, possivelmente Jack Philips, operador do telégrafo do Titanic, não teve tempo para enviá-la ao capitão pois o aparelho de telégrafo quebrou pouco após o recebimento desta mensagem, tendo Phillips e Bride, seu substituto, passado grande parte do dia consertando o aparelho.

17:50
        O Capitão Smith altera o curso do Titanic um pouco para sudoeste, talvez para evitar a presença de gelo.

18:00
        O segundo oficial Lightoller substitui o oficial chefe Wilde na ponte.

19:15
        O primeiro oficial Murdoch ordena o fechamento da escotilha do castelo de proa para que a luminosidade de dentro não interfira com os vigias no cesto da gávea.

19:30
        Chega a quinta mensagem, transmitida do S.S. Californian para o S.S. Antillian reportando a presença de três grandes icebergs ao sul de sua posição em 42o3'N e 49o 9'W, aproximadamente 80 km à frente do Titanic.
        A temperatura do ar é registrada como 0,5oC, 6 graus a menos que a registrada as 17:30.

20:40
        O segundo oficial Lightoller ordena um vistoria no suprimento de água fresca, uma vez que a água do mar está próxima da  temperatura de congelamento (da água doce).

20:55
        O capitão se retira após o jantar e vai até a ponte onde comenta como oficial de guarda, segundo oficial Lightoller, sobre o tempo calmo e a noite clara apesar da falta da lua, assim como a visibilidade de icebergs durante ume noite sem luar.
        O Titanic faz 22 nós com 24 de suas 29 caldeiras ativadas.

21:20
        O Capitão se retira para seu quarto, dando ordens para ser acordado se algo acontecer.

21:30
        Lightoller manda os vigias no cesto da gávea ficarem alertas para icebergs até a manhã.

21:40
        A sexta mensagem é recebida pelo Titanic proveniente do S.S. Mesaba relatando grande quantidade de gelo e grandes icebergs de 41oN a 41o25'N e de 49oW a 50o30'W, nas proximidades do Titanic.
        Novamente esta mensagem não chegou até a ponte. Supõe-se que Phillips estava muito ocupado trocando mensagens de passageiros com Cape Race para poder deixar a sala de telegrafo e levar a mensagem até a ponte.
        No total, seis mensagens alertam o Titanic da presença de um grande campo de gelo diretamente à frente.

22:00
        O primeiro oficial William Murdoch assume a guarda, dispensando Lightoller.
é feita a troca de vigias. Os que entram são informados que devem ficar atentos a icebergs.
        A temperatura do ar é agora de 0o C. o céu está sem nuvens e o ar está claro.

22:30
        A temperatura do mar é agora de -2oC

22:55
        O S.S.Californian, parado em um campo de gelo ao norte do Titanic envia a última mensagem recebida pelo Titanic. Phillips, operador de telegrafo do Titanic corta a mensagem do Californian, avisando que estava em contato com Cape Race.
        O operador do Californian continua a ouvir as mensagens do Titanic até as 23:30.

23:30
        O único operador de telegrafo do S.S. Californian, terminando seu serviço do dia, desliga seu equipamento e vai para a cama como de costume.
        Frederick Fleet e Reginald Lee, vigias da noite, assumem seus postos para observar o mar à frente e avisar a ponte de qualquer perigo iminente. Sem binóculos, eles se esforçam para poder visualizar qualquer perigo à frente quando eles notam uma indistinta cerração aparecendo diretamente à frente


23:40 
        Inesperadamente Fleet, observa uma grande forma escura indistinta elevando-se 18 metros acima da superfície e que ele reconhece como sendo a ponta de um iceberg a aproximadamente 460 metros diretamente a frente, e rapidamente toca o sino de aviso três vezes e imediatamente avisa a ponte, "iceberg diretamente a frente". O sexto oficial Moody na ponta recebe a mensagem e imediatamente a passa para Murdoch o qual ordena tudo a estibordo no timão enquanto pelo telegrafo de bordo ordena a parada seguida de reversão total dos motores.
        Irá levar ainda alguns segundos para o imenso navio iniciar sua curva à esquerda. Infelizmente, devido aos poucos testes realizados com o navio, não se sabia quanto tempo, nem qual a distancia necessária para que ele realizasse tal manobra.
        Após a proa virar dois pontos (10 graus), o iceberg atinge o navio diretamente a estibordo gerando um tremor sentido por todo o navio. Murdoch imediatamente fecha as portas a prova d'água abaixo da linha d'água fechando os compartimentos estanques e prendendo para sempre muitos trabalhadores no interior do Titanic.
        À 22 nós, a colisão dura apenas 10 segundos, mas o suficiente para a colisão causar sérios danos estruturais ao casco. No total foram apenas 32 segundos entre o avistamento e final da colisão
        O impacto é notado por vários passageiros como um tremor seguido por um rangido metálico.

23:41
        O Capitão chega a ponte onde recebe o relatório do acontecido.
        é ordenada parada total dos motores.

23:50
        10 minutos após a colisão a água já atinge 4 metros acima da quilha e inunda completamente todos os compartimentos danificados à exceção da casa de caldeiras número 5. O iceberg havia danificado o casco cerca de 3 metros acima da quilha e por uma distancia de aproximadamente 92 metros. A água entra rapidamente pelo porão de vante, pelos porões de carga 1, 2 e 3, e pelas salas de caldeiras 5 e 6, a qual apresenta 8 pés de água.
        Os motores são colocados em "à frente devagar".

Segunda-feira, 15 de Abril de 1912

00:00
        O Capitão chega a ponte onde recebe o relatório do acontecido.
        é ordenada parada total dos motores.
        A sala dos correios, 24 pés acima da quilha esta sendo alagada.
        As caldeiras são fechadas e o excesso de vapor escapa por válvulas de segurança no topo dos chaminés.

00:05
        O Capitão chama T. Andrews e ambos descem as conveses inferiores para verificar os danos. Não demora para Andrews perceber que a grande extensão dos danos condenou seu navio à morte e que logo este estaria sob as águas.
        Andrews calcula que restam apenas uma a uma hora e meia antes do fim. Este cálculo se baseia no fato de que com 5 compartimentos alagados, logo a água começará a transbordar por cima das anteparas alagando os compartimentos seguintes.
        é ordenado à engenharia "devagar à ré" com os motores.
        A quadra de squash, 9,7 metros acima da quilha começa a alagar.
        O capitão ordena ao oficial chefe Wilde que os botes-salvavidas sejam descobertos e preparados.

00:15
        O Capitão Smith ordena a Phillips que inicie o envio de pedidos de socorro. Este o faz inicialmente com o sinal padrão de socorro da época, CQD, seguido pelo código do Titanic, MGY, e pela localização estimada do navio, 41o46'N e 50o14'W.
        Os botes salva-vidas começam a ser preparados, e os passageiros são ordenados a irem para os conveses externos com coletes salva-vidas.
        A banda começa a tocar musicas alegres de ragtime na sala de estar da primeira classe do convés A, se dirigindo posteriormente ao convés de barcos, próximo à entrada de bombordo da grande escadaria.

00:18
       O vapor alemão Frankfort é o primeiro navio a responder aos pedidos de socorro, seguido pelo canadense Mt Temple, pelo Virginian e pelo russo Burma.


00:20
São dadas ordens para os passageiros começarem à entrar nos botes salva-vidas.
O Titanic começa a apresentar uma inclinação e sua proa inicia seu mergulho na água gelada.

00:25
        O S.S. Carpathia, que se dirigia de Nova Iorque a Liverpool, é é finalmente contactado a 94 km de distância. Arthur H. Rostron capitão do Carpathia, imediatamente altera seu curso e ruma a máxima velocidade para o Titanic. Sua velocidade máxima de 17,5 nós permite que ele chegue ao local apenas 4 horas após receber o pedido de socorro.
        Os botes salva-vidas começam a ser baixados sob grande desorganização devido ao alto ruído do vapor das caldeiras sendo liberado. Lightoller, segue fielmente as ordens de embarcar apenas mulheres e crianças, enquanto que Murdoch permite que, após todas a mulheres e crianças sozinhas terem embarcado, casais embarquem seguidos por homens solteiros.


00:34
       O Frankfort avisa que está a 241 km de distância. O Olympic, irmão gêmeo do Titanic é contactado a 805 km de distância.

00:45
        Bride sugera a Phillips que este mude para o novo sinal de socorro, S.O.S sendo esta a segunda vez que este sinal foi utilizado.
        Na ponte, a visão de luzes de outro navio no horizonte faz com que o quarto oficial Joseph G. Boxhall, inicie o lançamento de foguetes de sinalização na esperança que algum o navio próximo os veja. Os foguetes continuam a ser lançados até 1:45 num total de oito. A luz de sinalização do Titanic também é acionada.
        O navio visto chega a se aproximar do Titanic o suficiente para que suas luzes de navegação sejam vistas. Em seguida ele muda de curso e se afasta.
        O primeiro bote salva-vidas (no 7, estibordo) é descido com apenas 27 pessoas. A falta de treinamento e conhecimento da tripulação faz com que estes temam que, se os botes forem descidos cheios, eles possam virar.
        O bote no 4, bombordo, começa a ser carregado.

00:55
        O bote no 6, bombordo é descido com 28 pessoas a bordo, incluindo Molly Brown e o Major Peuchen.
        O bote no5, estibordo, é descido com apenas 41 pessoas. O quinto oficial Lowe ordena que J. B. Ismay se afaste pois este esta atrapalhando seu trabalho.

1:00
        O bote salva-vidas no 3, estibordo, desce com 32 pessoas, sendo 11 tripulantes. Este foi o 4o bote a ser descido.

1:10
        O bote de emergência no 1, estibordo, desce com somente 12 pessoas incluindo Sir Cosmo e Lady Duff Gordon e 7 tripulantes. Este foi o 5o bote a ser descido.
        O bote no8 de bombordo é descido com 39 pessoas.

1:15
        A inclinação do convés fica maior. São dadas ordens para que os botes salva-vidas sejam descidos mais cheios. Thomas Andrews exerce importante papel ajudando a descer os botes e fazendo com que eles sejam devidamente cheios.
        A água já atinge o nome do Titanic pintado na proa. O Titanic começa a de inclinar para bombordo.

1:20
        O bote no 10 desce com 47 pessoas. Uma forte inclinação para estibordo é notada.

1:25
        O bote no 16 de bombordo é descido com 42 pessoas.
        Desce o bote no 14 com 60 pessoas à bordo, incluindo o quinto oficial Lowe, o qual é forçado a disparar três tiros para o ar a fim de evitar que outros passageiros pulem no bote já cheio.

1:30
        O pânico começa a se formar entre o passageiros ainda à bordo.
        Os pedidos de socorro começam a indicar sinais de desespero como " estamos afundando rápido" e "mulheres e crianças nos botes. Não podemos durar muito mais".
        Ben Guggenheim e seu criado colocam suas roupas de noite sob o argumento de que "Nós nos vestimos com nossa melhor roupa e estamos preparados para afundar como cavalheiros".
        Descem os botes nos 9 e 12.

1:35
        Desce o bote no 11.

1:40
        A maioria dos botes à vante já foram descidos, os passageiros buscam os botes à ré.
        O bote desmontável C desce com 32 pessoas, incluindo J. Bruce Ismay, sendo este o último bote de estibordo a ser descido.
        O bote de estibordo no 13 desce com 54 pessoas, principalmente da segunda e terceira classe. Logo após é descido o no 15 com 57 pessoas. Este bote quase colide com o no 13 que estava diretamente abaixo.
       é lançado o ultimo foguete sem que se consigua contato com o navio visto.

1:45
        O bote de emergência no 2 desce com 20 pessoas. Este foi o 15 o bote a ser descido.
        As ultimas palavras ouvidas do Titanic pelo Carpathia "sala de maquinas e caldeiras alagadas".

1:50
        O bote salva-vidas no 4 desce com 34 pessoas. Este foi o 16o bote a ser descido. J.J. Astor é proibido de entrar junto com sua esposa.

2:00
        A água já está a 3 metros abaixo do convés A.
        O chefe da banda, Wallace Henry Hartley, começa a tocar " Mais perto de Ti Senhor", o qual ele dizia que seria o hino de seu funeral.
        Para manter o controle durante o lançamento do desmontável D, Lightoller agita sua pistola no ar (possivelmente atira) e os membros da tripulação formam um circulo ao seu redor para garantir que somente mulheres e crianças entrem neste bote.

2:05
        Desce o desmontável D com 44 pessoas, o último bote salva-vidas a ser descido. A inclinação do navio fica maior e a água já atinge o convés A.
        Aproximadamente 1.500 pessoas ainda estão a bordo.
        O castelo de proa esta totalmente submerso e a inclinação dos conveses fica maior.
        O Capitão Smith libera Phillips e Bride de suas funções dizendo que "Homens, vocês fizeram tudo que podiam. Vocês não podem fazer mais nada. Abandonem sua cabine. Agora é cada homem por si mesmo.". Phillips continua a enviar pedidos de socorro por mais alguns minutos.
        Ao caminhar para a ponte, ele repete para vários tripulante que "é cada homem por si mesmo". Possivelmente seus últimos pensamentos forma sobre sua Eleanor e sua filha Helen.
        A banda toca "Outono".

2:10
        Phillips envia o último pedido de socorro.
        Thomas Andrews é visto sozinho na sala de fumantes da primeira classe olhando o vazio.

2:15
        A ponte mergulha na água que começa a tomar o convés de botes. O movimento para frente do Titanic gera ondas que varrem o convés. Uma delas joga Murdoch dentro da água onde ele vem a morrer afogado ou esmagado pelo chaminé 1 que cai logo em seguida.

2:17
        A popa está completamente fora d'água, e a forte inclinação faz com que o primeiro chaminé caia para frente, matando muitas pessoas que se encontravam na água. O bote desmontável B é carregado para fora pela água.
        A proa mergulha em direção ao fundo enquanto centenas de passageiros da 2a e 3a classe ouvem o padre Thomas Byles reunidos no final do convés de botes.
        Muitos passageiros e tripulantes pulam para fora do Titanic.
        O desmontável A flutua livre para fora com o fundo virado para cima e perigosamente sobrelotado. Lowe no bote 14 os resgata antes do amanhecer, embora possivelmente metade das pessoas a bordo tenha morrido durante a noite e caído na água.
        A banda para de tocar

2: 18
        As luzes piscam e se apagam definitivamente.
        Um grande barulho é ouvido enquanto os objetos soltos do interior do navio caem em direção à proa.
        A grande tensão no casco quebra o Titanic em dois. A popa retorna a sua posição horizontal e , puxada pela proa, sobe rapidamente no ar até ficar completamente perpendicular.

2:20
        A inclinação da popa diminui conforme o Titanic desaparece sob as águas do Atlântico Norte. Muitas pessoas ainda se mantém vivas boiando na superfície, seus gritos de angustia diminuindo lentamente até se transformarem em um longo e contínuo canto de lamentação.
        Misericordiosamente em pouco menos de 10 minutos a morte por congelamento os atinge, poupando-os do afogamento.
        Após unir os botes 4,10, 11 e o desmontável C e passar os sobreviventes do bote 14 para estes outros, o quinto oficial Harold Lowe retorna para procurar por sobreviventes. Mas chega tarde e somente 6 pessoas são encontradas ainda vivas, Jack Stewart, camareiro, William F. Hoyt, da primeira classe e um homem japonês da terceira classe. William F. Hoyt viria a falecer em seguida.
        Mais tarde o bote n.o 12 é sobrecarregado com 70 pessoas provenientes de outros botes.

3:30
        Os foguetes de sinalização do Carpathia são vistos pelos botes salva-vidas.


4:10
        O primeiro salva-vidas, o no 2, chega ao Carpathia.
        Gelo e destroços se misturam na água no local do naufrágio.

5:30
        Após ser avisado pelo Frankfurt do desastre, o Californian se dirige para o local onde chegará três horas após.

5:30 a 6:30
        Os sobreviventes do desmontável A são resgatados pelo bote 14, e os do desmontável B pelos botes 4 e 12.

8:30
        O último bote salva-vidas (no 12) é pego. Lightoller é o último sobrevivente a entrar no Carpathia.
        O Californian chega próximo ao Carpathia, e se dirige para o local do naufrágio para procurar por mais sobreviventes, mas não há mais ninguém a ser salvo.


8:50
        O Carpathia parte para Nova Iorque com 705 sobreviventes. é estimado que 1523 pessoas perderam a vida na tragédia.
        Pelo telegrafo do Carpathia, J. B. Ismay envia a seguinte mensagem para os escritórios da White Star em Nova Iorque:
"Com profundo pesar aviso-os que o Titanic afundou esta manhã após colidir com iceberg, resultando em séria perda de vidas. Mais detalhes depois."




DEPOIS DO ACIDENTE

17 de Abril
        A White Star contrata o Mackay-Bennet em Halifax para procurar por corpos na área do desastre.

18 de Abril, 21:00
        O Carpathia e os sobreviventes do Titanic chega à Nova Iorque.
Conforme ele passa pela Estátua da Liberdade, 10.000 pessoas então presentes para esperar.
Ele passa pelo pier 45 da Cunard e segue rio acima para o pier da White Star, onde os botes do Titanic estão pendurados em seu lado são descidos. Em seguida ele ruma para o pier da Cunard para que os sobreviventes desçam.
Dezenas de repórteres estão no aguardo de notícias.

19 de Abril
        é iniciado o inquérito pelo Senado dos Estados Unidos sobre o desastre. O Senador William A. Smith é o presidente.
São ouvidas 82 testemunhas.

22 de Abril
        O Minia se junta ao Mackay-Bennet na busca de corpos.

24 de Abril
        Quando o Olympic está para sair de Southampton, seus foguistas entram em greve exigindo botes salva-vidas suficientes. 285 membros da tripulação abandonam o navio e a viagem é cancelada.

2 de Maio
        é iniciado o inquérito da Câmara do Comércio da Inglaterra. 96 testemunhas são chamadas.

6 de Maio
        A White Star envia o Montmagny, de Sorel, Quebec, para ajudar a procurar por corpos

15 de Maio
        O Algerine é enviado para procurar mais corpos.

25 de Maio
        é encerrado o inquérito do senado americano.

12 de Junho
        São encerradas as buscas por corpos. As últimas vítimas são enterradas em Halifax.

3 de Julho
        é encerrado o inquérito da Câmara do Comércio da Inglaterra.
        No total foram feitas 25.622 perguntas para as 96 testemunhas. Destas apenas três eram passageiros to Titanic, Sir Cosmo Duff Gordon e esposa e J. B. Ismay.
        Foram também chamado o inventor do telégrafo sem fio, Sr. Marconi, e o explorador Sir Ernest Shackleton para dar testemunho sobre o gelo e "icebergs".
        O capitão Lord do Californian é chamado para responder 1.600 perguntas.
        Membros da tripulação, os proprietários do navio e membros da Câmara do Comércio da Inglaterra também são chamados.
        O veredicto final recomenda que existam mais compartimentos à prova d'água em navios transatlânticos, botes salva-vidas para todos a bordo e melhores vigias.




Os mortos

Na quarta-feira, dia 17 de abril de 1912, o MacKay-Bennett partiu para procurar pelos corpos dos mortos, mas, devido ao mau tempo e nevoeiros, ele chega ao local do acidente apenas sábado à noite. O mar estava cheio de destroços, e os primeiros corpos começaram a ser avistados.

        No domingo começam a ser recolhidos os corpos para bordo. Muitos estavam desfigurados além de qualquer reconhecimento, enquanto outros pareciam apenas estar dormindo. Mães foram encontradas abraçadas a suas crianças, e vários outros abraçados a objetos flutuantes encontrados. Eles eram numerados e identificados quando possível.

       Foram encontrados 306 corpos pelo MacKay- Bennett, 116 deles, que não puderam ser identificados foram enterrados no mar, embora os corpos de passageiros da primeira classe fossem todos mantidos a bordo independente de sua condição.

        Os corpos foram desembarcados em Halifax, e o processo de remoção pelos parentes se iniciou. Muitos nunca foram identificados ou reclamados, sendo enterrados em Halifax de acordo com sua suposta religião.

        As buscas continuaram até 12 de junho, quando foram enterrados as últimas vítimas em Halifax.

        Além do MacKay-Bennett outros três navios participaram das buscas, o Minia, o Montmagnye o Algerine. Foram achados no total 328 corpos das 1522 vidas perdidas. Possivelmente muitos deste ficaram presos no interior do navio, enquanto outros que estavam sem colete salva-vidas foram puxados para o fundo conforme o Titanic afundava.

        Atualmente, dada as condições na qual o Titanic se encontra e o tempo transcorrido desde o acidente, não é possível que possam existir restos das pessoas a bordo, tendo os corpos se decomposto completamente.


Resultados

Após o acidente, vários efeitos foram sentidos na sociedade e no modo de pensar da época, alguns foram imediatos, outros demoraram mais tempo para serem sentidos. Os principais deles foram:

- Alteração do curso dos navios.
        A rota seguida pelo Titanic foi alterada em 176 quilômetros para o sul logo após o acidente, sendo alterada posteriormente para 434 quilômetros ao sul da rota seguida pelo Titanic, aumentando o tempo da viagem em 14 horas.

- Alteração no número de botes salva-vidas.
        Embora o Titanic levasse mais botes salva-vidas que o exigido pela lei inglesa, segundo a qual navios de mais de 10,000 toneladas deviam levar no mínimo 16 botes salva-vidas, ficou claro que esta lei devia ser alterada.
        Em 1914, foi feito um tratado internacional segundo o qual todos os navios deveriam levar botes suficientes para todas as pessoas a bordo, exercícios deveriam ser feitos e a tripulação deveria ser treinada devidamente. Foi também decidido que deveria haver o monitoramento por telegrafo de todos os navios de passageiros, assim como a construção de fundo duplo e compartimentos estanques em todos os navios.

- Patrulha do Gelo.
        Logo após o naufrágio, foi iniciado um monitoramento dos icebergs para que sua localização fosse conhecida por todos os barcos atravessando o Atlântico do Norte. Posteriormente, no tratado de 1914, foi formada a patrulha do gelo, com a função manter permanentemente este patrulhamento, assim como desenvolver pesquisas sobre o comportamento do gelo em altas latitudes.

- A Importância do Radio.
        O uso do telegrafo para ajudar navios em perigo já era conhecido, e foi novamente demonstrada sua utilidade no acidente do Titanic. Embora somente as pessoas nos botes salva-vidas pudessem ser salvas, se não houvesse telegrafo a bordo, muitos destes não teriam sobrevivido ao período após o naufrágio.

- As Diferenças Sociais.
        O naufrágio evidenciou as diferenças sociais da época. Não somente pelos números de sobreviventes das diferentes classes, mas pela forma diferenciada com que foram tratados após chegar em Nova Iorque, quando toda a atenção de voltou para os sobreviventes da primeira classe, ficando os da terceira classe completamente ignorados. Mesmo nas descrições do naufrágio, estes foram vítimas de forte discriminação, sendo apontados como autores de atos de covardia, por tentarem se salvar a todo custo, enquanto que os cavalheiros da primeira classe foram vistos como herois. Infelizmente demorou ainda muito tempo para que estas desigualdades fossem levadas à sério.


Fonte: TITANIC SITE

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A última sobrevivente do naufrágio do Titanic, Millvina Dean, morreu no dia 31 de maio de 2009, em um asilo de Hampshire, no sudeste da Inglaterra, aos 97 anos.
Ela tinha apenas 9 semanas de vida quando o navio afundou, depois de se chocar contra um iceberg no dia 15 de abril de 1912, e era a mais jovem passageira a bordo.


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