01/11/2014

Poltergeist e Psicopatologia

Assombrações
Adolescência e… a importância da idade

Já Camille Flammarion assinalava a respeito de uma casa “mal-assombrada” por um garoto de 12 anos; “Neste, como na maior parte dos casos análogos, a causa desconhecida produtora dos fenômenos está associada a um organismo moço”.

Um dos fundadores da SPR (Society for Psychic Researcht), Frank Podmore, que inicialmente fora espírita e depois, com o estudo, passou a rejeitar tal interpretação, esforçou-se por apresentar em cada caso a explicação natural. Concretamente com referência aos fenômenos parafísicos, analisou cuidadosamente todas as centenas de casos de “poltergeist” recolhidos pela Sociedade nos primeiros 14 anos de fundação. Comprovou que todos os casos estavam relacionados com adolescentes, principalmente do sexo feminino. A tese de Podmore passou a ser conhecida humorística, ou um tanto sarcasticamente, como a “teoria da mocinha malcriada” (“naughty little girl theory”).

Schrenck-Notzing corrobora a conclusão com os casos de sua pequena coleção, independentemente dos pesquisadores da SPR:

– “No caso bem documentado e estabelecido por vias judiciais, o da casa mal-assombrada de Ylojarvi, uma empregada de 13 anos, Emma Lindroos, estava estreitamente relacionada com todas as manifestações. No mesmo instante em que ela abandonou a casa, cessaram repentinamente as telecinesias, aportes e ações maldosas.

– “Também na casa mal-assombrada de Dietersheim os fenômenos estavam ligados com a filha, de 9 anos, de uma empregada.

– “Johanna P., causante de processos parapsicológicos que a acompanharam de karnten a Braunau e Londres, no começo da assombração, 14 anos. No ano seguinte suas manifestações começaram a debilitar-se, até desaparece completamente. É provável que isto fosse pelo maior desenvolvimento tanto físico como psíquico, e também pelo desenvolvimento mais livre da vida sexual.

– “Eleonore Zugun, mocinha camponesa romena, tinha 14 anos quando (…) se constituiu em objeto de estudo (…) (é muito famosa em parapsicologia). Com sua menarquia (primeira menstruação) tardia, aos 15 anos, cessaram suas faculdades (…)

– “Repetiu-se o mesmo no caso de Anna Gronauer, de 15 anos, filha de um mineiro em Peissenberg – Alta Baviera. Com sua menarquia, relativamente tardia, acabaram os fenômenos (…)

– “Vilma Molnar, de 14 anos, era uma moça camponesa de Bergeland, levada em 1926 ao Castel de Schonau e a Viena para a observação dos fenômenos.

– “Therese Winklhofer é considerada agente de assombração na casa da Augustenstrasse de Munique. Essa histérica de 17 anos ‘funcionava’ somente na presença do estudante Ludwig..

Não há a mínima lógica em atribuir aos espíritos dos mortos ou aos demônios etc., tal preferência por adolescentes problemáticos.

Mas ninguém ignora que essa idade pode acarretar, principalmente para ao sexo feminino, problemas, tensões, agressividade… E conseqüentemente “poltergeist”!

Também o metapsíquico Hereward Carrington, com a colaboração de Nandor Fodor, recolheu 375 casos de “poltergeist” que ele considerou os mais famosos na história da pesquisa desde o “poltergeist” de Bingen-am-Rheim, no ano de 355 (aportes de pedras, telecinesias inclusive desmantelando uma casa, tiptologia e psicofonias) até 1949 (dois anos antes da publicação do livro – embora Carrington tenha vivido até 1959 -). Submeteu-os a criteriosa crítica, e considerou fraudulentos 26 casos, e 29 duvidosos. Mesmo que todos estes casos duvidosos fossem fraudulentos, ficam 330 casos que Carrington considera irrefutavelmente autênticos. Para somar sua autoridade, transcrevo as palavras com que Frank Smyth formula uma das conclusões do livro de Carrington e Fodor:

“Característica de quase todos os ‘poltergeist’ é sua preferência por (…) adolescentes, acreditando-se que o início da puberdade pode ser um fator desencadeante deste tipo de perturbações”.

O prestigioso parapsicólogo alemão. Dr. Hans Bender, diretor do Instituto de Parapsicologia da Universidade de Friburgo na Brisgóvia, em nome de toda a parapsicologia moderna, pode garantir com certeza:
Antes de tudo se constata geralmente que estes fenômenos dependem de pessoas jovens, na idade da puberdade”.

As autoridades citadas deve-se incluir o inglês Dr. Owen, da Universidade de Cambridge, que publicou um livro imprescindível no estudo dos “poltergeist”. Owen analisou todos os casos recolhidos pelos pesquisadores da SPR, além dos numerosos casos colecionados por ele mesmo em amplo inquérito, e ainda muito casos de outros pesquisadores. De tão rica casuística, pode-se deduzir com segurança que se trata de força exteriorizada e dirigida com manifesta freqüência por uma adolescente e, num segundo lugar bem distanciado, por meninos na mesma idade crítica, sendo que os casos decorrentes de outras categorias de pessoas podem-se considerar pura exceção.

Com relação à sexualidade, é muito freqüente nas observações de “poltergeist” que se faça constar que a responsável é geralmente uma jovenzinha sexualmente reprimida. Outros falam também em senhoras na menopausa e sexualmente marginalizadas. Inclusive alguns elucubraram com a nascente sexualidade e os hormônios de meninas retardadas no aparecimento da puberdade e adolescência: não desabrochando no desenvolvimento corporal e psicológico, estourariam pelos fenômenos parafísicos.


Aporte moderno

O Dr. Cuenot, laureado da Academia de Medicina, relata para a Revista do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris os aportes sofridos durante quatro meses (de meados de março até começo de setembro de 1963), na Clínica Ortopédica de sua propriedade, em Arcachon. O prestigioso parapsicólogo Robert Tocquet foi lá verificar e garante também os fatos.

Os doentes hospitalizados foram atormentados durante todo esse período com telecinesias e aportes de até trezentas pedras de diversos tamanhos. Várias testemunhas afirmaram ter visto cair entre 10 e 20 pedras ao seu redor. Uma testemunha contou 17 aportes em cinco minutos. Ás vezes eram pedrinhas muito pequenas, em algumas ocasiões alcançavam tamanho de meio tijolo. A trajetória e a velocidade dos disparos também foram muito diversos.

Não se sabia de onde caíam as pedras, pareciam claramente lançadas do alto. Freqüentemente caíam vertical, atravessando a folhagem das árvores. Várias testemunhas declararam que as pedras entraram (aporte) no banheiro, fechado. O Sr. T. André, agente de polícia parisiense, viu sair uma janela uma pedra de uns 250g. Verificou imediatamente que o quarto estava vazio e, como todos outros cômodos desocupados, fechado a chave. Outra noite, quatro hóspedes da clínica estavam no terraço quando recomeçaram os lançamentos das pedras, visivelmente procedendo do quarto andar do prédio. Subiram correndo. Estavam todos os quartos fechados a chave. Desceram de novo e de novo caiu uma chuva de pedras, agora procedente do segundo andar, que também estava (a porta geral do andar assim como de todas as dependências) fechado a chave.

Em uma tarde em que fazia muito bom tempo, reuniram-se todos os hóspedes, assim como todo o pessoal da clínica, no terraço. Não faltou ninguém à reunião. “Jamais foi lançada tal quantidade de pedras. Isso levou ao convencimento geral de que não se podia suspeitar de nenhum paciente, nem mesmo do pessoal”. Além do mais, que hábil prestidigitador teria lançado pedras dentro do banheiro, como testemunharam alguns hóspedes?


Regras do além?

Os aportes produziam-se a qualquer hora, mas principalmente no crepúsculo.
Como se os espíritos dos mortos fossem afetados pelo peso do dia e a proximidade da noite. A influência, porém, do cansaço foi observado entre os doentes nas enfermarias, clínicas e hospitais de todo o mundo.

As pedras constituíam uma ameaça, manifestamente expressavam revolta, mas como sempre “jamais foi ferido nenhum doente, e só dois deles, foram tocados muito ligeiramente”. Palavras textuais do Dr. Cuenot.

Com respeito aos “ataques satânicos” (ou de “espíritos pouco desenvolvidos” segundo os Kardecistas!), Görres já observava que paradoxalmente as pedras não atingem as pessoas (só o próprio doente).

O mesmo paradoxo aparece nos clássicos “endemoninhados” (?) do cemitério de São Medardo.

Ora, a conhecida lei da física, “forças do mesmo sinal se repelem, tem analogia na parapsicologia, aplicada à telergia que conduz os objetos. Na interpretação espírita, porém, um “perispírito” rejeita outro “perispírito”? Isso prova que o “perispírito de um defunto não age sobre o “perispírito” de um vivo…

Destaca o Dr. Cuenot: “A única condição suficiente para que se desencadeasse o fenômeno era a presença, por perto, de Jacqueline R., de 17 anos”. O Dr. Cuenot submeteu Jacqueline a um interrogatório psicológico. Conclui assim que a adolescente estava desenganada da vida, não gostava de namoro, não queria ter filhos, ria e sentia-se consolada quando presenciava enterros, chorava desiludida quando assistia a qualquer casamento… só gostava de chamar à atenção e de que se ocupassem dela. Por que tudo isso? Até 11 anos fora uma menina psicologicamente normal. O desespero, a revolta, o ódio surgiram com a primeira menstruação, fenômeno que a traumatizou e de que jamais falara com ninguém. Com a descarga pelas confidências dela e pela explicações do médico, Jacqueline R. se acalmou e os fenômenos cessaram.

“Regras” dos espíritos dos mortos?
O psiquiatra A. Assailly deduz das coleções de casos de poltergeist que nos poucos casos que não se deve ao início da sexualidade, costuma ver no ambiente senhoras no climatério.

Ou será a menopausa dos “desencarnados”?

Inferioridade

“Coisas de crianças”

Os “poltergeist” ou “casas mal-assombradas”, com seus fenômenos físicos de todo tipo, estão quase sempre ligados à adolescência; e sempre a pessoas problemáticas, reprimidas. Às vezes, estão ligados a pessoas mentalmente retardadas. Por isso geralmente nas casas mal-assombradas aparece claramente essa psicologia infantil, retardada ou problemática.

Foi precisamente a constatação dessa realidade uma das principais causas pelas que Flammarion abandonou as interpretações espíritas. Escreve:
"É fácil compreender a grande importância teórica desses fatos (…), a primeira impressão que nos causam esses fenômenos é a de sua banalidade e vulgaridade (…) Exercícios bem singulares! Forças inteligentes em ação, mas inteligências bem medíocres (…) Esses exercícios físicos, extravagantes e incompreensíveis, são sempre idênticos em toda parte (…) O que mais nos impressiona, nesses eventos, é as vezes (…) Podemos afirmar a realidade dos fatos, e confessamos que eles são absurdos, idiotas, inexpressivos, assemelhando-se a traquinadas de garotos astuciosos (…) Sapatos que saltam e mudam de posição? Deslocamento de móveis? Pancadas? Não mais que vulgaridade”.

** Os responsáveis pelos fenômenos de efeitos físicos costumam estar presos à vida instintiva desordenada e não se deixam guiar pela razão e pelos critérios superiores. Às vezes estão presos a fortes paixões, a depressões profundas.


Detalhes muito significativos

O caso de “poltergeist” que mais impressionou o Dr. Owen, foi de Sauchie (Escócia). Não que apresentasse fenômenos especiais ou em maior intensidade. Atrever-me-ia a dizer inclusive que estava abaixo da média. Mas foi o único a que Owen teve acesso “direto” através de uma gravação magnetofônica! (Se viesse ao Brasil…! Ao CLAP quase diariamente chegam pedidos de ajuda).

Foi em meados de dezembro de 1960 que o Dr. Owen viajou a Sauchie para recolher informações sobre os fenômenos que começaram em 22 de novembro e que praticamente terminaram em 1º de dezembro. A BBC difundira o caso, tendo seus repórteres constatado pessoalmente alguns fenômenos. Entre numerosas testemunhas, devem-se destacar os médicos Drs. W. H. Nisbet e William Logan e sua esposa Sheila, médica conceituada.

Tudo começou por uma tiptologia forte, um “barulho fragoroso” provindo do quarto onde Vírginia Campbell, de 11 anos, com sua prima, se dispunha a dormir. Os outros primos (maiores de idade) e os tios verificaram – verificaram-no depois freqüentemente – que tudo se tranqüilizou quando Virgínia, por fim, relaxou e caiu no sono. No dia seguinte viram uma mesinha levantar-se no ar quase dois decímetros durante uns segundos, perto de Virgínia, sem que ela a tocasse.

O pároco anglicano de Sauchie, Rev. T. W. Lund, foi chamado pela família à meia-noite, e constatou também as violentas tiptologias nas paredes, nos móveis etc., sem que deixassem marcas. Um baú certas noites abria e fechava sozinho, deslocava-se no ar, disparava. O Reverendo viu os movimentos e pequenos vôos a meio metro de altura realizados pelo baú cheio de roupa. Na noite seguinte, o Reverendo Lund e mais dois pastores – que trouxera consigo – benziam a casa… As tiptologías acompanharam os serviços e foram aumentando gradativamente de intensidade até se tornarem realmente violentas.

Na escola primária, professora e alunos viram que a tampa da escrivaninha abria e fechava sozinha várias vezes. Quando a professora se aproximou, levantou-se no ar, inteira, uma escrivaninha que o aluno vizinho, apavorado, deixara momentaneamente desocupada. Outro dia, a pesada mesa da professora deslizou quando Virgínia estendia os braços naquela direção. Depois, uma varinha, que a professora tinha sobre a mesa, começou a vibrar e foi deslizando até chegar ao extremo da mesa e cair; então a própria mesa começou a vibrar e a girar.

As tiptologias – o fenômeno mais freqüente neste caso – numa tarde foram tão fortes que inclusive os vizinhos ouviram. Foram precisamente esses estrondos, gravados pela BBC, que impressionaram o Dr. Owen.

Observaram-se também outras telecinesias: travesseiros girando 90 graus e ondulando ao longo da sua superfície como se alguém fosse correndo a mão em pressão sobre eles.
Praticamente a isso se reduzem os fenômenos do “poltergeist” de Sauchie. Mas é muito interessante para nós agora pelos abundantes detalhes psicológicos e patógenos que muito acertadamente o Dr. Owen soube recolher:

1. Até esse ano, a vida de Virgínia, caçula de pais idosos, fora excessivamente isolada: vivera no campo, na Irlanda. Os pais passaram a ficar o dia todo e todos os dias trabalhando. Os irmãos, adultos, em outra cidade. Ela, sem mais companhia que o cachorrinho Toby, ao qual se agarrava com exagerado carinho; e eventualmente uma amiguinha da sua idade, Ana, a quem também se afeiçoou profundamente. Nos seus transes (“estados alterados de consciência”: perda de consciência e afloramento do inconsciente) no período de “poltergeist”, como também em falas durante os sonhos, Virgínia não chamava pelos pais, parentes, professores ou médico, não apelava aos sentimentos religiosos: reclamava desesperadamente por Ana e especialmente por seu cachorrinho Toby.

2. No começo de 1960, Virgínia, com a mãe – o pai ficou na Irlanda por problemas de trabalho -, viajou à Escócia para morar na casa de uns tios e primos. Ao ser matriculada na escola primária, o diretor fez constar a estranha impressão que lhe causara: Virgínia, como também a mãe, “davam a impressão de pessoas que tivessem vivido sempre num lugar longínquo e isolado, a realidade transformando-se para elas numa mistura dos seus contornos imediatos e das ilimitadas fantasias do seu pensamento”. Virgínia era muito tímida e sua professora encontrou dificuldades, no começo, para se comunicar com ela. Virgínia enfrentou obstáculos para se comunicar com os colegas, também por causa da diferença de dialeto.

3. O diretor da escola fez constar também que Virgínia nos testes de inteligência demonstrou ser claramente superdotada – Q.I 111, apesar da evidente inibição -, como também demonstrou superioridade à média nos testes de destreza manual, docilidade etc.

4. A mãe – continua o diretor da escola – “não deu mais informações do que as estritamente solicitadas, sua voz parecia sair, a contragosto, de um rosto firme como uma máscara”. Mulher seca, fria, dura…

5. Virgínia tinha 11 anos. “É muito alta para sua idade (…) Atualmente está atravessando um período de rapidíssimo desenvolvimento físico e maturação. A puberdade, no seu sentido concreto (menstruação) não se apresentou ainda, mas ela está caminhando rapidissimamente para isso”.

6. Durante os transes “demonstrava ausência das normais inibições, como se seus pensamentos (ou instinto sexual) reprimidos (pela severíssima educação materna) estivessem emergindo (…). Registra-se notável quantidade de garrulices histéricas de Virgínia, nas quais aparecia a mesma falta de inibição que caracterizava seu transe”.

7. “No período do poltergeist, ela apresentava claríssimos sintomas de distúrbios mentais e emotivos” até então latentes e depois de novo contornados.

8. Algum tempo depois de acalmada a situação – em meados de janeiro de 1961 – “Virgínia aceitou tranqüilamente” o fato de ela ter passado por aqueles fenômenos de poltergeist, inclusive tirou deles um certo senso de orgulho, batizando-os como ‘Wee Hughie'” (o pequeno Huguinho).

Pais idosos, solidão desabrochando rapidamente na sexualidade, educação severamente repressiva, tímida e “caipira”, repentinamente Virgínia, superdotada, tem de enfrentar a cidade e a escola em pais diferente. Nestas circunstâncias alguém poderá duvidar de que tem lógica, embora patológica, que Virgínia sinta saudades do cachorrinho e da amiguinha perdidos, estoure em “poltergeist” e depois se vanglorie da popularidade compensadora assim alcançada? Alguém poderia duvidar de que a telergia é dirigida inconscientemente pela própria Virgínia? Alguém poderia não ver o absurdo que seria atribuir este caso aos espíritos dos mortos, demônios, ou…?


Betsy Bell, um drama clássico

Muitos livros de parapsicologia estudam este caso. Richard William Bell tinha seis anos na época em que começaram os problemas em sua família e muitos anos depois escreveria um livro, “Our Family Trouble”, logicamente com várias e evidentes distorções em suas lembranças. O núcleo, porém, é muito claro.

John Bell, com sua esposa Luce e seus nove filhos, vivia numa grande fazenda no Condado de Robertson, no estado de Tennesse, EUA. Betsy tinha doze anos quando começou o poltergeist, e 16 quando terminou em tragédia com a morte do fazendeiro. Inicialmente se tratava de tiptologias tipo arranhadelas, que logo se converteram em pancadas cada vez mais fortes e “inexplicáveis”. Com o passar do tempo começaram as telecinesias tipo cadeiras e louças pelo chão de toda a casa, e aportes em forma de chuva de pedras e paus.

Os dois escritores Bell destacavam nos seus livros que os fenômenos giravam com destacada e indiscutível preferência ao redor de Betsy…

Quando os fenômenos começaram a ser agressivos, o casal compreendeu que não poderia continuar mantendo o problema em segredo, e que precisava de ajuda. Poderia ser meramente uma espécie de pesadelo quando os pequenos Richard William e Joel acordaram aos prantos e gritos dizendo que alguém lhes puxara os cabelos, mas Elisabeth (Betsy) certamente se sentiu atormentada por várias horas durante aquela noite.

Acudiram então ao pároco, pastor James Johnson, que logo atribuiu os fenômenos aos demônios, apesar de as psicofonias serem muito piedosas, pois repetiam os sermões do próprio Johnson e de outro pastor seu colega! O pastor recitou sobre a família os macabros exorcismos.

O efeito da sugestão foi aparentemente benéfico só por pouco tempo, porque a tensão se acumulou e estourou precisamente pela macabra sugestão demonológica: logo as psicofonias, em vez de sermões, repetiam grandes blasfêmias; e Betsy explodiu em violenta auto-sugestão. Dizia receber violentos tabefes. Ninguém via a mão agressora, mas todos viam aparecer imediatamente marcas vermelhas no seu rosto (dermografia). E viam os violentos e contínuos puxões de cabelos que faziam-na rolar pelo chão em contorção de dor. Betsy entrava em transes ou desmaios que duravam até meia hora. Acordava em meio a psicofonias tipo assobios estridentes e vozes ininteligíveis.

Após o fracasso dos exorcismos, passaram a atribuir os fenômenos ao espírito de uma bruxa falecida. O pastor Johnson primeiro, depois numerosos vizinhos, vieram fazer consulta à bruxa, e obtinham respostas por meio das tiptologias nas paredes, e de psicofonias rudimentares, sons como de estalidos com a língua. Um médico, para certificar-se de que as psicofonias não eram hábeis truques de ventriloquia, tampava a boca de Betsy com as mãos. As psicofonias continuavam.

Análise psicopatológica

Neste caso pioneiro (1817 a 1821) e famoso, os pesquisadores modernos logo, é claro, garantem que não eram demônios nem o espírito da bruxa, senão, como sempre, o inconsciente de Betsy, quem dirigia a sua própria telergia.

Muitas das psicofonias expressavam os sentimentos de Betsy:
Com referência ao pai, as psicofonias – e outros fenômenos – manifestavam um ódio feroz, prometiam atormentá-lo o mais possível e por todo o resto da sua vida. Havia motivo…
À mãe mostravam todo o carinho que a própria Betsy sempre manifestava.

Com respeito aos irmãos Joel, Richard e Drewry manifestavam essa ambivalência freqüente entre os irmãos: as psicofonias os insultavam, ameaçavam, e voavam pedras e paus vindos “do nada”, mas nunca lhes causaram ferimento (o leitor, lembrará que a telergia de uma pessoa não pode agir sobre outras pessoas, a não ser de raspão ou de ricochete). Os outros irmãos, dada a diferença de idade, pouco se relacionavam com Betsy, e os fenômenos praticamente os ignoravam. Simples relacionamento, também sem emotividade, com os vizinhos.

Com referência a si mesma, Betsy mostrava a divisão da sua personalidade. Refiro-me agora ao rompimento com o noivo. Sob o véu de ameaças, na realidade se defendia a si mesma.

Quando Betsy tinha entre 13 e 14 anos, namorava um vizinho, Joshua Gardner. As vozes constantemente sussurravam: “Por favor, Betsy Bell, não aceite Joshua”, “suplico-lhe, não se case com Joshua”…, e choviam ameaças de uma vida de tormentos se não atendesse os conselhos das psicofonias. Assim todos aceitaram o rompimento.

Para o fazendeiro, os fenômenos e as ameaças psicofônicas da filha terminaram tragicamente:

A angústia, a superstição, o medo, os remorsos – tinha motivos para isso! – arruinaram sua saúde, que quatro anos antes parecia inquebrantável. Sentia fortes cãimbras nos maxilares, a boca intumescida, a língua se inchou de tal modo que no fim não podia nem ingerir alimentos nem falar. Os tiques nervosos começaram ao redor da boca, estendendo-se depois a todo o corpo. Tinha transes e convulsões que duravam até quinze dias. Por vários meses foi vítima de delírio, obrigado a permanecer de cama. Num dia do outono de 1820, John Bell reagiu contra a prostração, levantou-se da cama e saiu a inspecionar a fazenda. Subitamente cambaleou, caiu prostrado, e os filhos viram espantados como “o rosto se contorcia de um modo horroroso”, enquanto seus sapatos saíam dos pés e voavam longe, para repetir a mesma operação sempre que um dos filhos tentava calçá-lo. A cena era acompanhada por psicofonias “em zombaría de nós” e “gritos demoníacos”. O pai teve de ficar de cama de novo. Um mês mais tarde, em 19 de dezembro, foi encontrado em profundo sopor, do qual morreu. Ao lado, o vidro onde o remédio receitado pelo médico fora substituído por “uma beberagem escura”. O médico fez com que o gato engolisse a beberagem, e o animal morreu em poucos minutos.

Suicídio? Pouco provável, dada a invalidez do fazendeiro. Poderia ser um assassinato inculpável e inconsciente numa das freqüentes trocas de personalidade de Betsy, que assim plasmou e levou até as últimas conseqüências seu ódio ao pai.

Quando o médico chegou para lavrar o atestado de óbito, o inconsciente de Betsy – secundus, “a bruxa” – disse pela psicofonia:

“Não perca tempo com o velho, desta vez agarrei-o bem, não mais levantará”. No dia seguinte, quando o cadáver do fazendeiro descia à sepultura, a psicofonia permitiu-se o acidente de entoar uma canção de bêbados…

Tudo indica que o agudo sentimento de culpa de John Bell e o ódio que a filha sentia tinham desencadeado a cisão da personalidade de Betsy e de seu pai.

Betsy era sexualmente precoce. Seu ambiente familiar era extremamente fechado de critérios. O pai, hipocritamente puritano.

Muito acertadamente o psicanalista Nando Fodor chama a atenção para a coincidência do início de “poltergeist” com o despertar sexual de Betsy e as primeiras manifestações do complexo de culpa do pai. Fodor, no seu livro, The Story of the Poltergeist, acena para a possibilidade de John ter violentado a própria filha. O incesto naquela época e naquelas fazendas não era tão raro.

A psicologia também explica que a Segunda Personalidade de Betsy, ao mesmo tempo em que se revolta contra o pai, também esbofeteia a si mesma na personalidade oficial, pelo duplo motivo de repreensão moralista de má filha e autodesprezo pela experiência brutal sofrida. Também por esta experiência traumática rejeitou o namorado.

Descarregada a tensão nervosa com a morte do pai, e aliviada com a separação do namorado, Betsy não precisou mais de emissões telérgicas, e os fenômenos cessaram.
Nem demônios nem espírito da bruxa. Basta uma simples análise dos fatos para perceber que quem dirige a telergia é o inconsciente problemático dos vivos.





24/05/2013

Filme: O Expresso da Meia-noite





O EXPRESSO DA MEIA-NOITE conta a dolorosa história de Billy Hayes, um jovem turista americano condenado à prisão na Turquia por sua tentativa tola de contrabandear haxixe para fora do país. Transformado em exemplo por um sistema legal corrupto e vítima de uma diplomacia ineficaz, Hayes é sentenciado a 30 anos e precisa sobreviver à brutalidade impiedosa e à sua própria derrocada rumo à loucura para poder sobreviver e, com esperança, fugir. 
Indicado em seis categorias do Oscar em 1978, e vencedor nas de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora, O EXPRESSO DA MEIA-NOITE é dirigido de maneira vigorosa por Alan Parker (Mississipi em Chamas, Evita), e abrilhantado por interpretações pungentes de Brad Davis, John Hurt e Randy Quaid. Um olhar inesquecível focalizando uma das mais perigosas prisões do mundo e a luta de um homem para voltar para casa.



Direção:  Alan Parker 
Roteiro: Oliver Stone, Billy Hayes (livro), William Hoffer (livro)
Gênero: Biografia/Drama/Policial
Origem: Estados Unidos/Reino Unido
Duração: 121 minutos
Título no Brasil:  O Expresso da Meia-Noite
Título Original:  Midnight Express
Ano de Lançamento:  1978
Estúdio: Casablanca Filmworks
Distribuição: Sony Pictures
Desenho de produção: Geoffrey Kirkland
Fotografia: Michael Seresin
Produção: Alan Marshall E David Puttnam
Edição: Gerry Hambling
Direção de arte: Evan Hercules
Figurino: Milena Canonero
Música: Giorgio Moroder
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos




Elenco
Brad Davis ... Billy Hayes
Irene Miracle ... Susan
Bo Hopkins ... Tex
Paolo Bonacelli ... Rifki
Paul L. Smith ... Hamidou
Randy Quaid ... Jimmy Booth
Norbert Weisser ... Erich
John Hurt ... Max
Mike Kellin ... Sr. Hayes
Franco Diogene ... Yesil
Michael Ensign ... Stanley Daniels
Gigi Ballista ... Chief Judge
Kevork Malikyan ... Prosecutor
Peter Jeffrey ... Ahmet
Joe Zammit Cordina
Yashaw Adem
Raad Rawi
Tony Boyd ... Aslan
Zannino
Mihalis Giannatos ... Translator
Vic Tablian ... Star
Ahmed El Shenawi ... Negdir
Alan Parker ... Long-Haired Man at Airport




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O LIVRO


"Expresso da Meia Noite" é a autobiografia de Billy Hayes, um jovem que foi preso por contrabando na Turquia e condenado à prisão perpétua.
Billy, rapaz de boa família e situação financeira confortável, é acusado por carregar drogas.
No início dos anos 70, após uma estada em Istambul, Billy Hayes e Susan, sua namorada, resolvem voltar ao seu país natal, os EUA. Decidem carregar alguns pacotes de haxice presos debaixo de suas roupas. Mas, ambos são apreendidos e Billy é preso. Na penitenciária, imperam a violência, o suborno e a insanidade.

Billy entra em contato com um advogado, de nome Yesil, que tem conexões com o sistema legal turco, supostamente corrupto. O advogado consegue arrancar uma grande soma da família de Hayes, mas ao ser levado a julgamento, o réu é sentenciado a quatro anos de reclusão. Quando faltam apenas 53 dias para ser libertado, o Cônsul americano informa que a Alta Côrte em Ankara acaba de rejeitar sua sentença, decidindo por um novo julgamento. Ao comparecer ao tribunal, Hayes vê sua pena passar de quatro para 30 anos de reclusão. Do menino comportado, passa a bolar planos para fugir do local. Percebe, então, que as únicas formas de sair dali são por morte ou através do "Expresso da Meia Noite", expressão usada para designar fuga. Assim, decide elaborar um plano de fuga juntamente com Jimmy e Max. O romance foi adaptado para o cinema por Alan Parker e o enredo por Oliver Stone.. A trilha é de Giorgio Moroder. O filme recebeu dois Oscar, nas categorias de melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora.



Fonte: Skoob 

10/05/2013

Nunca julgue pela aparência!



“Da boca daquele que lhe aparenta ser o 
mais medíocre e insignificante 
dos seres humanos podem sair as
mais sábias e belas palavras.

Procure nunca julgar ou classificar 
a inteligência de alguém 
pelo que lhe possa aparentar.

Nessa hora cabe mais usar 
os ouvidos do que a visão.”

08/05/2013

Eternamente IRA!



01- Pobre Paulista (Compacto 1983)
02 - Núcleo Base (Mudança de comportamento 1985)
03 - Mudança de comportamento (Mudança de comportamento 1985)
04 - Tolices (Mudança de comportamento 1985)
05 - Envelheço na cidade (Vivendo e não aprendendo 1986)
06 - Dias de luta (Vivendo e não aprendendo 1986)
07 - Flores em você (Vivendo e não aprendendo 1986)
08 - Receita pra se fazer um herói (Psicoacústica 1988)
09 - Pegue essa arma (Psicoacústica 1988)
10 - Tarde vazia (Clandestino 1989)
11 - Nasci em 62 (Clandestino 1989)
12 - Você ainda pode sonhar (Meninos da Rua Paulo 1991)
13 - Campos, praias e paixões (Música calma para pessoas nervosas 1993)
14 - É assim que me querem (7  1996)
15 - Eu quero sempre mais (7  1996)
16 - Nada além (Você não sabe quem eu sou 1998)
17 - Bebendo vinho (Isso é amor 1999)
18 - Teorema (Isso é amor 1999)
19 - Vida passageira (MTV Ao vivo 2000)
20 - Entre seus rins (Entre seus rins 2001)
21 - Superficial (Como um espinho) (Entre seus rins 2001)
22 - O girassol (Acústico MTV 2004)
23 - Mariana foi pro mar (Invisível DJ 2007)

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Ira! foi uma banda brasileira de rock and roll, formada em 1981, na cidade de São Paulo. A banda anunciou seu término em setembro de 2007. 


História
Subúrbio
No final dos anos 70, no outono da ditadura militar, Edgard Scandurra, fascinado pelo punk rock e, em busca desse som, ia a shows na periferia da cidade, para trocar informações com o pessoal. Foi então que Edgard e seu amigo Dino resolveram montar uma banda que tocasse punk, sem esquecer de Led Zeppelin e Jimi Hendrix. Nascia aí a banda Subúrbio. Nessa época, Edgard estudava no Colégio Brasílio Machado, onde volta e meia topava com um sujeito esquisito chamado Marcos Valadão Rodolfo, de apelido Nasi. Mesmo sem conhecê-lo, Edgard sentia simpatia pelo modo com que ele se vestia, e num desses encontros os dois acabaram se conhecendo, e ficando amigos.
Mais tarde, Edgard chamou o Nasi para participar do Subúrbio, no festival interno do colégio Objetivo. Nessa época, o grande hit do Subúrbio era "Pobre Paulista", que mais tarde viraria um dos grandes hits do Ira!. Em 1980, Edgard foi convocado para servir o exército, e foi lá onde Edgard iria compor N.B. ("Núcleo Base"), que por sua vez também viraria um grande hit do Ira!, um ano depois (em 1981), Nasi chamaria o amigo Edgard para tocar num show na PUC e ali surgiria o Ira!, ainda sem exclamação, e com nome inspirado no Exército Republicano Irlandês. Completavam a formação o baterista Fabio Scattone, e o baixista Adilson. Dois anos se passaram até que o produtor Pena Schimidt descobriu a banda, nessa época contando com Charles Gavin (viria a se tornar membro dos Titãs) na bateria e Dino (velho companheiro da antiga banda Subúrbio) no contrabaixo, e os levou até a gravadora Warner, onde o Ira! gravaria seu primeiro compacto. O compacto contava com as músicas "Gritos na Multidão" e "Pobre Paulista".


IRA!
Em 1981, Nasi chamaria o amigo Edgard para tocar num show na PUC e ali surgiria o Ira!, ainda sem exclamação, e com nome inspirado no Exército Republicano Irlandês. Completavam a formação o baterista Fabio Scattone, e o baixista Adilson.
Dois anos se passaram até que o produtor Pena Schimidt descobriu a banda, nessa época contando com Charles Gavin (viria a se tornar membro dos Titãs) na bateria e Dino (companheiro da antiga banda Subúrbio) no contrabaixo, e os levou até a gravadora Warner, onde o Ira! gravaria seu primeiro compacto, IRA, que contava com as músicas "Gritos na Multidão" e "Pobre Paulista".


Os Primeiros LPs
Em março de 1985, após trocar Dino por Ricardo Gaspa, e Charles Gavin pelo ex-titã André Jung, o Ira!, com ponto de exclamação, gravaria seu primeiro LP; Mudança de Comportamento. Que conta com 11 faixas, entre elas "Núcleo Base", "Ninguém Precisa de Guerra", "Longe de Tudo" e "Ninguém Entende um Mod".

No ano seguinte, com maior prestígio dentro e fora da gravadora, a banda lançaria o LP Vivendo e Não Aprendendo. O disco, lançado em Setembro, era uma obra prima, trazia grandes hits como "Envelheço na Cidade", "Vitrine Viva", "Pobre Paulista" e "Gritos na Multidão", sendo as duas últimas gravadas ao vivo na Broadway em São Paulo.
O sucesso do grupo se consolidou quando a música Flores em Você entrou na trilha sonora da novela "O Outro" da rede Globo. O disco chegaria a marca de 200 mil cópias vendidas. 
O grupo era aclamado pela mídia, e Edgard Scandurra foi escolhido pela revista Bizz como o melhor guitarrista brasileiro. Edgard, um canhoto sui generis por não inverter as cordas da guitarra, tocava com grande velocidade.
Quatro meses depois, a banda ressurgiria com o lançamento do álbum Psicoacústica, que contava com um instrumental afiadíssimo. Dentre as oito longas faixas estavam "Rubro Zorro", "Manhãs de Domingo", "Farto de Rock 'n' Roll", e um rap de roda "Advogado do Diabo". O disco se tornaria a obra "cult" do Ira!.
No caminho para o quarto disco, Edgard Scandurra gravou um disco solo chamado "Amigos Invisíveis", onde tocava todos os instrumentos.


Década de 90
O primeiro disco da década de 90 foi o Clandestino, que trazia fortes influências do Cinema Novo que produziria bons momentos como "Nasci em 62", Melissa (com a participação especial de Paulo Villaça - Bandido da Luz Vermelha), "Cabeças Quentes" e "Consciencia Limpa".

Renovação e criatividade resultaria no disco Meninos da Rua Paulo. Com "Você Ainda Pode Sonhar", a versão em português da música "Lucy in the Sky with Diamonds", de Lennon e McCartney.
Em 1993 Nasi lança o primeiro disco solo com o projeto paralelo Nasi & os Irmãos do Blues, trabalho este voltado para o rhythm and blues.

Em 1994, o grupo lançou o sexto disco Música Calma para Pessoas Nervosas, obra que viria encerrar um ciclo do Ira! junto à Warner . Esse disco, autoproduzido pelo grupo, teve como destaque a música "Arrastão".
Em 1995, já na gravadora Paradoxx, o grupo lançou o disco 7 (o primeiro CD-ROM da banda, antes eram LPs) com destaque para "É Assim que me Querem". Como faixa bônus, "Nasci em 62", tirada de um show com participação de Arnaldo Antunes. O álbum foi gravado logo após uma turnê de quatro shows no Japão que culminaram com uma apresentação antológica no Club Cittá, templo do Rock no Japão.
No final de 96, Edgard lançou seu segundo disco solo "Benzina", mesclando o rock clássico, já presente no Ira!, com novas tendências de música eletrônica.

Em maio de 1998, o Ira! lança o ousado Você Não Sabe Quem Eu Sou, álbum que incorpora algo da atitude criativa de "Psicoacústica" ao fazer do estúdio um laboratório para a criação de arranjos inusitados, o disco viria receber o prêmio de "Melhor Produção de Rock" da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).
Deixando a gravadora Paradoxx, o Ira! desenvolve o embrião do que viria a ser seu nono disco ao produzir um CD demo, baseado em covers, que acabaria por conduzir o grupo para a Abril Music. 

Em novembro de 1999 o Ira! lança o aclamado Isso É Amor, CD que rapidamente ganharia as rádios e o prestígio de crítica levando o Ira! a ser considerado pela APCA "O Melhor Grupo de Música Popular de 1999"


Anos 2000 e o Reconhecimento da Mídia
Em 2000. A banda Ira! lança o Ao Vivo MTV gravado no Memorial da América Latina, em comemoração aos vinte anos de sucesso. Não faltam clássicos como "Tolices", "Envelheço na Cidade", "É assim que me querem" e "Flores em você". Seguido desse sucesso de vendagem (cerca de 160.000 cópias em CD e mais de 21.000 em DVD), o Ira! apresenta-se no Rock In Rio III , no ano de 2001, para 250.000 pessoas (o recorde de público no Festival), um dos momentos mais marcantes na carreira da banda.
Ricardo Gaspa lança seu projeto paralelo de surf music "Huntington Bitches".

Em 2001 o grupo lança o CD Entre Seus Rins, apenas com músicas inéditas. Sendo a faixa Entre Seus Rins, que traz o nome do álbum, um grande sucesso.

Depois de preferir continuar atrelada às suas raízes punk e de lançar vários discos nos anos 80 e 90, o Ira! retoma o sucesso com o lançamento do Acústico MTV em 2004, que além de clássicos trouxe quatro faixas inéditas, e também participaçoes de três gerações diferentes na gravação: Paralamas do Sucesso, Samuel Rosa e Pitty. 
Consolidando, ainda mais, o Ira! entre os maiores nomes do rock brasileiro.

Em 2007, retornando a inéditas e ao rock clássico, o grupo lançou o álbum intitulado Invisível DJ. Ao todo o disco contém 12 faixas, com direito a regravação de Feito Gente, composta por Walter Franco na década de 70. Destaque para Mariana Foi pro Mar, tocada ao som de violão numa levada sessentista e Eu Vou Tentar, que se tornou um hit.
Invisível DJ viria a ser o último álbum da banda.



Brigas e término do grupo
No Inicio de setembro de 2007, após brigas com o irmão e empresário Airton Valadão, Nasi retirou-se da banda (indeterminadamente), antes do Ira! entrar de férias, algo previsto para 2008. Em novembro de 2007, o guitarrista da banda, Edgard Scandurra anuncia através de uma conta do site Orkut, que a banda Ira! estava findada e que os membros restantes estariam agora com uma banda nova. Nessa banda a formação seria a mesma do grupo Ira!, exceto o vocal que seria assumido pelo guitarrista Edgard. O nome da banda seria Trio. Porém o projeto foi cancelado antes mesmo de acontecer, conforme informou o baterista Andre Jung, no mês de fevereiro de 2008.
Com isso os ex-integrantes do Ira! assumiram totalmente seus projetos, até então, paralelos. Nasi, segue em carreira solo e já lançou dois discos Onde os Anjos Não Ousam Pisar, de 2006 e Vivo na Cena, indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro em 2010. Frequentemente faz participações em shows de outras bandas e especiais. Edgard Scandurra lançou seu DVD Ao Vivo, é guitarrista da cantora pernambucana Karina Buhr e de Arnaldo Antunes, retomou a banda Smack - outra banda que fez parte no início dos anos 80, além dos projetos Les Provocateurs, Pequeno Cidadão, A Curva da Cintura, ao lado de Arnaldo e o músico de Mali Toumani Diabaté e de participar de shows da banda Cidadão Instigado. André Jung toca na banda F.A.U.T., ao lado de João Gordo, tem o projeto Urban ToTem, e é produtor de bandas novas do pop/rock nacional como Stevens e Manu Gavassi. Gaspa retomou a banda Gaspa & Os Alquimistas e está gravando seu 1º álbum solo com participações de Marcelo Nova e Wander Wildner.


Reconciliação de Nasi com seu Irmão e ex-empresário
No dia 27 de junho de 2012, Nasi e Airton Valadão Júnior, irmão do cantor e ex-empresário da banda, anunciaram à imprensa uma reconciliação após cinco anos de brigas públicas e judiciais. 
Os irmãos pretendem encerrar os processos que moviam um contra o outro e a marca Ira!, que pertencia a Júnior, voltará para Nasi. 
A volta da banda aos palcos não foi anunciada. 
No inicio do ano, em sua página no Facebook e no seu Blog, o vocalista disse que não queria voltar com o grupo, mas estava disposto a retomar a amizade com Edgard Scandurra.




Última Formação
Nasi - Voz
Edgard Scandurra - Guitarra, Violão, e Vocal
André Jung - Bateria e Percussão
Ricardo Gaspa - Baixo


Antigos
Adilson Fajardo - Baixo
Fábio Scattone - Bateria
Victor Leite - Bateria
Charles Gavin - Bateria
Dino Nascimento - Baixo




Discografia
1983 IRA
1985 Mudança de Comportamento
1986 Vivendo e Não Aprendendo
1988 Psicoacústica
1990 Clandestino
1991 Meninos da Rua Paulo
1993 Música Calma para Pessoas Nervosas
1996 7
1998 Você Não Sabe Quem Eu Sou
1999 Isso é Amor
2000 MTV ao Vivo
2001 Entre seus Rins
2004 Acústico MTV
2007 Invisível DJ
2011 Ira! e Ultraje a Rigor - Ao Vivo Rock in Rio


Coletaneas
Geração Pop 1993
2 é Demais 1996
Pop Brasil 1997
2 é Demais - Vol.2 1998
O Melhor da Música do IRA! 1998
E-Collection 2000
Warner 25 Anos 2001
Warner 30 anos 2006
Nova Série 2007
Super 3 2009
Os Maiores Sucessos 2011


Fonte: Wikipédia









04/05/2013

Querer é poder!



QUERER É PODER

quando o que se quer FAZER,


com ou sem PODER


poder-se-ia CONCEBER


em você o dom de PODER


melhor SER, 


ENALTECER, VIVER...


02/05/2013

Os mascotes do Palmeiras



PERIQUITO
O Periquito é o mascote oficial do Palmeiras, adotado desde os seus primeiros anos, quando ainda era Palestra Italia. Segundo o estatuto do clube, o periquito foi adotado como mascote por causa da comum coloração verde e, também, por esse passarinho existir em abundância onde o clube está localizado, além de ser um pássaro de origem brasileira.
Vale lembrar que o mascote nada tem a ver com o personagem da Disney, o Zé Carioca, que é um papagaio. Aliás, o palmeirense é bem mais antigo e foi desenhado em São Paulo.
Depois do Palestra Italia, vários outros clubes que têm a cor verde em seus uniformes, também acabaram adotando o periquito como mascote (entre estes, o Goiás Esporte Clube).





PORCO

O Porco foi adotado como mascote em 1986 e apesar de hoje ser bastante popular entre a torcida, o porco encontrou muita resistência antes de ser assumido pelos torcedores, principalmente os mais velhos. É que antigamente, chamar qualquer palmeirense de porco era uma ofensa gravíssima. Durante a 2.a Guerra Mundial, entre o período de mudança de nome de Palestra Italia para Palmeiras, os rivais chamavam o Palmeiras de porco pelo fato deste clube ser de origem italiana e a Itália ser inimiga do Brasil na guerra. Os fascistas eram chamados de porcos e injustamente o time de futebol do Palmeiras, repito, por ser de origem italiana era assim insultado pelos rivais. E assim, o clube que nada tinha a ver com a guerra foi bastante hostilizado nessa época, simplesmente por chamar-se Palestra Italia; foi obrigado a mudar de nome e, somente pela resistência de seus diretores e torcedores da época, não foi extinto. Essa foi a origem do apelido porco. Outras equipes como o Cruzeiro de Minas Gerais (que aliás, também se chamava Palestra Italia) e o Esporte Clube Pinheiros (que se chamava Germânia) também foram hostilizados dessa forma.

Vale destacar também que no Campeonato Paulista de 1969, o Corinthians perdeu 2 jogadores de seu elenco devido a uma fatalidade. O clube pediu à Federação Paulista de Futebol a inscrição de outros 2 jogadores, porém, os dirigentes do Palmeiras na época, devido a grande rivalidade, foram os únicos que não concordaram. No clássico que sucedeu o episódio, torcedores corinthianos, em protesto ao que chamaram de 'sujeira', soltaram um porco dentro do Estádio Morumbi, durante a partida. Esse acontecimento reacendeu o porco usado como forma de ofensa à torcida palmeirense, o que perduraria vários anos.
Até que, em 1983, o então diretor de marketing do clube, João Roberto Gobbato teve a ideia de assumir de vez o porco como segundo mascote do Palmeiras. Obviamente  a ideia foi de imediato rechaçada e só depois de 3 anos de diálogos, ele conseguiu convencer os diretores do clube de que a sua ideia, além de tirar uma arma dos rivais, serviria também para diminuir a violência entre os torcedores que não aceitavam ser chamados de porcos.
Depois de uma reunião com membros das 2 principais torcidas organizadas, a TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras) e a Mancha Verde, além de alguns jogadores, João Roberto Gobbato conseguiu enfim, permissão para 'lançar' o porco como mascote.
No dia 27 de agosto de 1986, um dia depois de completar 72 anos, no jogo Palmeiras X Corinthians, válido pelo Campeonato Paulista, a torcida gritava nas arquibancadas: "E dá-lhe porco, e dá-lhe porco, olê, olê, olê". O mascote foi 'pé quente' e o Palmeiras venceu o clássico, eliminando o arquirrival da competição. 



A capa da Revista Placar de 10 de novembro de 1986 estampava o atacante Jorginho segurando um porco e a manchete era: O Palmeiras quebra um tabu: "Dá-lhe Porco!". 
Pois é, o tabu estava quebrado e o porco foi enfim, aceito.






HULK

O Incrível Hulk é uma espécie de mascote não-oficial; o personagem da Marvel é constantemente associado ao Palmeiras pelos torcedores, principalmente por causa da sua cor verde, pela força e pela grandeza.
É sabido que quanto mais bravo, mais forte e grande o Hulk fica.